DESIGN E RISCO DE MUDANÇA

Autor: VICTOR MARGOLIN

Design e Risco de Mudança é o primeiro volume da coleção Design e. Esta coleção quer ser uma das múltiplas vias em que o Design se escreve. Este livro, Design e Risco de Mudança, lança-nos interrogações múltiplas que se prendem, desde logo, com o próprio título: qual o risco a que se refere Victor Margolin?

Segundo Victor Margolin, os designers "são responsáveis pelos artefactos, sistemas e ambientes que constituem o mundo social - pontes, edifícios, internet, transportes, publicidade, vestuário e equipamento de construção são apenas algumas alguns exemplos. Sem os designers, as empresas não teriam nada para confeccionar, nem serviços para oferecer". Além disso, Margolin acredita que os designers podem obter mais autonomia, dando como exemplo a cidade de Curitiba, no Brasil, que se transformou "num laboratório de urbanismo sustentável, sem ter de recorrer a tecnologia muito avançada". Victor Margolin aborda também quais os cenários futuros, a ética, os valores e as estratégias para a mudança.
Posto isto, o autor centra-se no desperdício, "parte integrante da vida", defendendo que se não podemos diminuir a quantidade de desperdícios orgânicos, é possível reduzir drasticamente a produção de desperdícios sintéticos. "Os designers desempenham um papel essencial na passagem de uma economia insustentável de desperdício para uma economia sustentável", afirma.
As causas sociais são o desafio que o autor apresenta em seguida, reforçando que apesar de se criarem peças muito atrativas e acessíveis, essas ainda não estão ao alcance de todos, conseguindo ainda "deixar de fora aqueles com necessidades especiais, tais como os idosos e os incapacitados". Aliás, Margolin afirma que "a comunidade do Design não tem muita experiência na criação de condições para dar resposta a necessidades sociais".
Posteriormente o autor apresenta o artigo 'Projecto para uma Boa Sociedade: action frame para o século XXI'.
É ainda abordado o design da democracia, o design para a democracia o design numa democracia, onde o autor conclui que "existem precedentes em cada um destes domínios, e são cada vez mais necessárias as capacidades do Design para gerar novos instrumentos de transformação social".
No final, Victor Margolin, entrevista Alice Branco e Hugo Branco, tendo como tema de conversa 'desenhar o futuro'.
De facto, este livro resume de forma brilhante o papel do design e dos designers na sociedade. 
Consideramos que este livro deve mesmo ser lido por todos os interessados em design (nas mais variadas formas) e até mesmo pelos que não tendo uma ligação óbvia no contexto de trabalho se interessam pela evolução de uma área que, efetivamente, está presente no nosso dia-a-dia e merece ser melhor compreendida e interpretada.

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LEPROSARIA NACIONAL

Autores: Paulo Providência; Vítor M. J. Santos; Ana Luísa Santos; Sandra Xavier; Emanuel Brás & Luís Quintas 
Editora: DAFNE

O antigo Hospital-Colónia Rovisco Pais, na Tocha, onde funcionou o que em tempos se chamou a Leprosaria Nacional, foi concebido nos anos de 1930 e a sua construção prolongou-se até ao final dos anos 1950. Projectado pelo arquitecto Carlos Ramos sob a tutela do «médico empreendedor» Bissaya Barreto, esta obra hospitalar constituiu-se como uma pequena colónia, com bairros de habitação, equipamentos e espaços públicos, onde foram confinados os portadores da doença de Hansen em Portugal. Alguns destes espaços e edifícios têm vindo, desde 1996, a ser convertidos e remodelados para funcionamento do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro Rovisco Pais, outros encontram-se em ruína e outros acolhem ainda ex-doentes de Hansen. Neste livro procuram descodificar-se vários níveis de interpretação que acompanharam a construção do conjunto, os conhecimentos médicos sobre a doença, a transformação do edificado e a imagem dos espaços e construções.


Sandra Xavier e Paulo Providência explicam que "este livro regista uma abordagem interdisciplinar à Leprosaria Nacional Rovisco Pais, decorrente do interesse comum de um conjunto de investigadores das áreas da Antropologia, Arquitectura e Fotografia sobre o edifício - a sua história -, e sobre a doença de Hansen para a qual foi concebida".
Com efeito, o livro dá-nos uma visão abrangente, tanto da doença, como do edifício.
Assim sendo, resultou numa obra valiosa e completa, recheada de textos e imagens que nos dão a conhecer a profunda história desta Leprosaria. Por ter uma abordagem multidisciplinar, este livro é útil para investigadores de diversas áreas do conhecimento, que daqui podem tirar proveito.

Quanto à doença, tal como é assinalado neste livro, já foram curados "mais de 14 milhões de pacientes, em duas décadas, eliminando a lepra de 119 países". Dados da OMS de 105 territórios revelam que "a prevalência global registada no início de 2012 situou-se em 181.941 casos". Atualmente, o combate faz-se maioritariamente na Ásia e na África.


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DOURO - VIAGENS E HISTÓRIAS

Autores: Pedro Veloso, Susana Fonseca e Sérgio Fonseca

Ler este livro é deixar-se levar numa viagem pelo rio Douro, desde as caves em V. N. de Gaia até à região do Douro Internacional. É entrar pelas paisagens e abraçá-las com o olhar. É saber mais sobre cada local da região demarcada do Douro. É conhecer a mesma região pela mão do historiador Gaspar Martins Pereira que assina a Introdução. É entrar num universo imaginado com histórias sobre o modo de vida das gentes do Douro.
Este livro aguça o apetite de conhecer mais a região. Tem informações úteis. Convida-o a levar para sua casa como recordação.

Um grande tesouro português em forma de livro. O Douro é uma das zonas mais bonitas de Portugal e este guia mostra-o de uma forma brilhante. Recorrendo, por um lado, a imagens ilustrativas e com muito bom gosto e, por outro lado, a textos curtos, mas precisos, este guia é perfeito para quem quer visitar esta zona do país. Poderá também ser um excelente cartão de visita para mostrar esta zona de Portugal a um turista. De realçar que o livro «Douro - Viagens e Histórias» existe também em inglês, espanhol, francês e alemão.
Este livro dá a conhecer o Porto; o vinho do Porto; a história da região demarcada do Douro; imagens do vinho do Porto, rótulos e cartazes; o Baixo Corgo; o Cimo Corgo; o Douro superior; as aldeias vinhateiras; o Parque Nacional do Douro Internacional e, ainda, outros concelhos de interesse. No final, pode visualizar o mapa do Douro e seguir viagem sem se perder.

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COMO VIVER (OU NÃO) EM 777 FRASES

Organização de: RICHARD ZENITH
Editora: QUETZAL

Um livro de autoajuda de um dos maiores autores de Língua Portuguesa de todos os tempos. Disposto em 7 secções temáticas, precedidas por 7 frases preparatórias e sucedidas por uma conclusão em 7 frases, é este um extraordinário conjunto de reflexões e conselhos úteis para lidarmos com o misterioso e nem sempre cómodo facto de existirmos. 
A Vida Vivida / A Vida Eterna / A Vida da Imaginação / A Vida Afectiva / A Vida Pensada / A Vida do Eu Inúmero / A Vida não Vivida. Todos os grandes temas tratados em pequenos trechos de uma imensa genialidade. Para ler de rajada, ou como um oráculo ou um Livro de Horas. 

Richard Zenith afirma no início deste livro que "o risco de uma colectânea de frases geniais não é tanto o de que as frases, arrancadas do contexto original, percam o seu verdadeiro sentido. No caso de Fernando Pessoa, um fingidor inveterado, podemos até duvidar de que a noção de «verdadeiro sentido» faça algum sentido. A descontextualização, usada com os devidos cuidados, é uma poderosa ferramenta para nos revelar coisas nunca antes observadas".
Com efeito, para todos os que gostam de frases marcantes, este livro é, indubitavelmente, uma inspiração preciosa.
Ler o livro num só dia é possível, mas talvez seja melhor saborear o sentido de cada frase e ler, e refletir, ao longo dos dias. E, claro, se optar por ler uma frase por dia já sabe que terá um pensamento de Pessoa consigo durante 777 dias.
Para terminar, teremos de citar uma das frases:
"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo - quando o homem se ergue a este píncaro, está livre, como em todos os píncaros, está só, como em todos os píncaros, está unido ao céu, a que nunca está unido, como em todos os píncaros".

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SALADAS DE TODO O ANO

Autora: EDITE VIEIRA PHILIPS

"As saladas são o arco-íris da nossa mesa, uma festa para a saúde, os olhos e o paladar", como nos afirma a autora. O primeiro capítulo é reservado aos elementos dietéticos dos ingredientes - das vitaminas aos sais minerais, com recomendações directas sobre os seus efeitos na saúde. As receitas recorrem com sabedoria às ervas aromáticas a que se seguem as salsas, os temperos e molhos e as guarnições que para além do efeito decorativo, enriquecem as potencialidades gastronómicas das saladas.

Edite Vieira Philips inicia o livro lembrando que é importante aproveitar os produtos que a natureza nos dá, remetendo os leitores para as sugestões apresentadas neste livro "na esperança de que, entre nós, as saladas sejam promovidas da sua actual posição de cabo-raso para a de general - escalão opulento que amplamente merecem".
Mas antes das sugestões propriamente ditas, a autora recorda alguns elementos dietéticos de certos ingredientes, como por exemplo, dos agriões, da alface, das azeitonas, da beterraba, da cenoura, dos cogumelos, do feijão, do limão, da maçã, da melancia, do pimento e da salsa. Edite Vieira Philips assinala também os usos medicinais destes ingredientes.
As receitas são fáceis de seguir e nós, no Cita-Livros, já experimentamos algumas.

A NOITE INTEIRA JÁ NÃO CHEGA

Autora: ROSA LOBATO DE FARIA
Editora: BABEL

“Rosa Lobato de Faria (ela, que conhece como raros a música da palavra) tem a coragem de, por assim dizer, restituí-­la à sua condição rítmica essencial, despojada e inteira. No percurso da memória, a palavra dispensa qualquer forma de maquilhagem. Os poemas deste livro confirmam assim um dom muito raro que é o da espontaneidade na elaboração.” – in Luís Forjaz Trigueiros 

Vasco Rosa, inicia com uma nota editorial recordando que "a poesia foi sem dúvida a fonte da vocação literária de Rosa Lobato de Faria, que ao longo dos anos extravasou a quase todos os campos da criação escrita, ao mesmo tempo que ela sempre manteve o prazer e a competência de declamar muito bem versos de outros poetas (e seus) nos mais variados ambientes culturais e circunstâncias".
Neste contexto, os Herdeiros de Rosa Lobato de Faria homenagearam a autora, nos oitenta anos do seu nascimento, com esta obra, que reúne poemas de 1983 a 2010.
Uma verdadeira obra de arte, tanto no conteúdo (indiscutivelmente precioso), como na forma em que nos é apresentado.
Este livro é, certamente, um precioso documento para todos os fãs da autora, e da poesia em geral.

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A INSTALAÇÃO DO MEDO

Autor: RUI ZINK
Editora: TEODOLITO

Dois homens batem à porta. «Bom dia, minha senhora, viemos para instalar o medo. E, vai ver, é uma categoria».

O medo, esse malandro. É-nos apresentado por dois homens (que o vão instalar) e até temos direito à demonstração do produto. Já imaginaram? É, de facto, uma categoria.
Segundo a "Directiva nº 359/13. Portaria 8: 'Todos os lares devem ter o medo instalado num prazo de 120 dias" e para isso um dos homens explica que "não cabe só a nós instalar o medo, é preciso que também haja, da parte dos concidadãos, um estado de disponibilidade mental (eu diria mesmo moral) para aceitar o medo. É como um sinal. Não é só importante que a emissão do sinal seja forte, é também conveniente que a recepção o seja".
Com muita criatividade, Rui Zink instalou o medo. Fortemente recheado de alusões políticas e económicas (os mercados, por exemplo, são por vezes referidos), este livro carregado de medos consegue ser divertido.
E no final... surpreende, porque os maus estão onde menos se espera.

NO CÉU NÃO HÁ LIMÕES

Autor: SANDRO WILLIAM JUNQUEIRA
Editora: CAMINHO

No Céu não Há Limões descreve um mundo em guerra entre o Norte rico e o Sul pobre, em que os pobres do Sul tentam por todos os meios ter acesso ao bem-estar do Norte, e os do Norte usam de todos os meios para conservar a sua riqueza só para si.
Sandro William Junqueira não apresenta soluções, mas à medida que o livro se aproxima do final uma personagem se destaca – o padre –, procurando uma saída. Será esta uma saída?
O autor não dá a resposta. A resposta fica com cada um de nós, porque este é o nosso mundo.

Ao que parece, no céu não há, efetivamente, limões.
Talvez por isso, o ogre ainda não queira ir para lá, ou talvez não.
Numa das passagens do livro o autor escreve "ao olhar homens, mulheres, descendentes, crentes ou não-crentes, desapossados, desprotegidos, o Padre era forçado a admitir: um crente pegajoso não diverge assim tanto de um ateu convencido. Ambos trazem consigo toneladas de ambição tolas, arrogantes. E somente uns miligramas de humildade.". Será também este o nosso mundo? Teremos apenas alguns "miligramas de humildade"? Teremos nós direito à tal saída?
Este romance mexe com o leitor, levanta questões e faz refletir.

[Sandro William Junqueira nasceu em 1974 em Umtali, na Rodésia. Experimentou a música, escultura, pintura. Foi designer gráfico. Diz poesia e trabalha regularmente como ator e encenador. Leciona expressão dramática. É autor de projetos e ateliês de promoção do livro e da leitura. Em 2012 foi considerado um dos escritores para o futuro pelo semanário Expresso.]

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