É um escritor mas mais que
alguém que escreve é um “consciencializador”. É aparentemente simples, na forma
de escrever e de ser, ainda que goste de levar essa simplicidade, essa
subtileza, para terras mais carregadas de simbolismo e de reflexão. É recatado,
gosta de observar e de ouvir e isso influencia o que escreve.
Não gosta de estar preso, pois
prefere se deixar andar e ver onde, literáriamente, os dias o transportam. É
apaixonado por tudo e principalmente pelo acto crítico de amar. Gosta de
fotografia e de imagem. Vive a música e sente com ela. Vê nas artes uma janela
com uma vista diferente do mundo em que vive.
É um optimista mas não descura
a visão mais densa do negativismo, já que apesar de ser um ser positivista,
compreende e percebe como funcionam as coisas que o rodeiam.
É um idealista e um criativo
que gosta de estar presente e de se fazer ouvir. Gosta de fazer passar a mensagem.
Este livro é uma edição independente que só conheceu a luz
do dia devido à abnegação, esforço e dedicação do autor, o que ilustra bem a
paixão que este tem pela sua arte.
Ao longo das cerca de 100 páginas que constituem a obra,
Agostinho Abadia transmite ao leitor, através dos seus poemas, uma diversidade de
sentimentos, o que faz da leitura deste «Sonhos são olhos que vêem a cores» uma
experiência completa. O autor escreve sobre o Amor, o Sossego e Melancolia, a
Loucura, mas sobretudo da Vida.
Cada poema denuncia o contacto próximo que Agostinho Abadia tem
com as inúmeras formas de arte, tal é a sensibilidade veiculada às suas
palavras e a preocupação com o detalhe. Segundo o autor “Toda a palavra tem o
tamanho que lhe quisermos sentir pesar”.
No entanto, nada melhor do que enunciar um fragmento da
obra:
Talvez um dia serei como ele!
Talvez um dia serei mestria
De um vassalo aprendiz
Serei ousadia de não ousar
Ser vulgar insistente.
Serei negligente do que de mim
Advêm metodicamente.
Contrapartida do natural cerebral!






