02 junho 2017

PALACETE MARQUES GOMES

Autor: DOMINGOS TAVARES
Editora: DAFNE

Este livro – que refunde e amplia um capítulo do livro Casas de Brasileiro – procura reconstituir este exemplo de arquitectura Beaux-Arts e compreender como um cidadão de torna-viagem contribuiu para a promoção da modernidade, oferecendo condições a um jovem artista para a realização desta obra de vanguarda. O ensaio pretende identificar as formas originais da casa, as condições da sua produção e as características de alguns dos usos determinantes para a caracterização da sua imagem. É uma viagem ao Erudito e popular na arquitectura dos Torna-Viagem, percorrendo um caminho que procura preencher um espaço ainda relativamente vazio no processo de conhecimento da arte de edificar em Portugal.

"Marques Gomes, o ricaço brasileiro que começava a ganhar estima em Canidelo pelos sinais de filantropo que ia evidenciando, escolheu o que entendeu ser a melhor posição na sua propriedade, e ali mandou erigir a imaginada casa própria em 1904. Ficou instalado no alto da colina sobranceira ao rio Douro, com largas vistas sobre a foz, a costa atlântica desde o cabedelo até à Praia de Salgueiros (...)".
A designação de palacete surgiu pela "evidência que assumiu naquela posição e pela marca de novidade das formas que definiam a sua presença forte na paisagem". António Correia da Silva foi o arquiteto escolhido por Marques Gomes para concretizar este projeto. "A expressividade arquitetónica oferecida à casa como um todo resulta dos critérios de representação adotados para o pavimento intermédio e da intenção de tornar percetíveis esses valores. Tudo na base da compreensão do enunciado clássico defendido pelos académicos das Beaux-Arts, que entende para a compreensão da obra a necessidade de equilíbrio entre o conjunto e elementos formais escolhidos do vocabulário ao antigo, a submissão a uma ordem geométrica que tem a simetria axial como regra básica orientadora, respeitando os necessários ajustamentos".
Durante vários anos não foi possível apreciar esta peça de arte, devido ao intenso crescimento da mata plantada na envolvente da casa. "Parcialmente tomada pela vegetação exótica da linha de festo da colina da Alumiara, depois ardida nas convulsões sociais geradas na revanche capitalista dos anos noventa do século passado, transformou-se numa espécie de ruína-fantasma a caminho do esquecimento". Espera-se, agora, uma nova vida e um novo olhar para este palacete e para o que ele representa.

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