29 abril 2016

ARQUITECTURA EM PÚBLICO

Autor: PEDRO GADANHO
Editora: DAFNE

A afirmação da arquitectura portuguesa através da mediatização revelou-se uma boa metáfora para explicar como os media de massa acolhem, digerem, ampliam, apropriam e finalmente deitam fora qualquer assunto que sirva para captar a atenção e o share. Diz-se aqui como o campo arquitectónico adquiriu pujança, como se reflectiu e como acabou por ser escrutinado na esfera pública. Mas podia falar-se de arte, culinária, futebol ou qualquer outra coisa. 
Nas entrelinhas desta expansão mediática ficou também uma história parcial e uma crítica cultural da arquitectura portuguesa entre 1990 e 2005. Nas estórias picantes que aqui se revisitam, esses 15 anos foram o período áureo em que, mais que qualquer meio especializado, o jornal Público deu as boas vindas a uma prática que – pelo menos do ponto de vista mediático – se tornaria numa das grandes exportações da cultura portuguesa contemporânea.

Este livro "procura explicar de forma convincente como podem chegar os arquitectos e as suas arquitecturas a diferentes públicos através dos media (e porque só uns tantos são notícia e outros ficam na maioria silenciosa).". Sendo assim, esta é "uma narrativa de sociologia da informação num domínio tradicionalmente pouco comum para a própria actividade jornalística.".
Pedro Gadanho, escolheu o exemplo do jornal Público, dado este "ter assumido com grande exigência (em continuidade do que o Expresso tinha feito) uma informação que podemos considerar regular sobre as arquitecturas que eram notícia, habitualmente nos seus suplementos culturais e frequentemente a meio caminho entre o 'ensaio' crítico e o descritivo.". Com efeito, segundo o autor, "este jornal ilustrou particularmente bem como o campo arquitectónico encontrou na mediatização generalista uma arena privilegiada para construir uma visibilidade pública expandida.". 
Esta obra divide-se em cinco partes essenciais: contextos de uma modernização (a mediatização generalizada da arquitetura; a presença na imprensa não especializada, a seleção de um medium para a análise); construção da visibilidade mediática (cultura, construção da cidade e diversificação temática; fatores e momentos charneira; as grandes obras e a emergência mediática dos protagonistas); afirmação e apropriação na esfera pública (polémica, debate e afirmação na esfera pública; reflexos e construção mediática; as apropriações simbólicas da arquitetura); efeitos e repercussões (reflexividades do fenómeno da mediatização; aceitação e rejeição da ideia de mediatização; a emergência de uma imagem da arquitetura) e, em jeito de conclusão, a função da opinião; o regresso à esfera pública e, ainda, uma teoria da mediatização da arquitetura.
Na prática, este livro oferece um retrato exato de uma produção cultural como ela é, de facto, vista pelo público.

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28 abril 2016

A ECONOMIA PORTUGUESA NA ZONA EURO

Autor: ALEXANDRE PATRÍCIO GOUVEIA
Editora: ALÊTHEIA

Com prefácio de Álvaro Santos Pereira, esta obra procura reflectir «sobre os erros cometidos no passado de forma a evitar a sua repetição, criando simultaneamente as condições para que Portugal possa crescer mais rapidamente, convergindo com os países mais desenvolvidos da Zona Euro».  

«Este livro de Alexandre Patrício Gouveia ajuda-nos a compreender as razões e os desequilíbrios que nos conduziram à recente crise nacional, enquadrando devidamente os constrangimentos a que somos sujeitos por pertencermos ao espaço europeu e à moeda única.»
Prof. Álvaro Santos Pereira

Neste livro, escrito de forma muito clara e direta, Alexandre Patrício Gouveia faz uma análise íntegra e muito relevante sobre a União Europeia em geral, e a economia portuguesa neste âmbito, em concreto. 
Assim, o autor começa por lembrar a construção da integração europeia, depois lança a seguinte questão: Têm justificação as regras da União Europeia? Aqui, o autor analisa a relação inversa entre dívida pública e crescimento económico; a relação inversa entre deficits orçamentais e crescimento económico; uma relação direta entre: deficits orçamentais e taxas de juro, deficits orçamentais e deficits externos e deficits orçamentais e desemprego. Posto isto, Alexandre Patrício Gouveia aborda a evolução da economia portuguesa desde a entrada na zona euro até 2011 e, em seguida, fala detalhadamente sobre os efeitos do programa de assistência económica e financeira, entre 2011 e 2015, na economia portuguesa. Neste livro, também se realçam os principais desequilíbrios ainda por resolver em Portugal, nomeadamente, os níveis excessivos da dívida externa, de dívida pública, de dívida das empresas; o nível elevado do desemprego e, ainda, a insuficiente implementação de reformas estruturais. 
Uma parte significativa do livro é dedicada aos desequilíbrios da sociedade portuguesa não explicitamente referidos no programa de assistência económica e financeira, onde o autor escreve, a título de exemplo, sobre poupança; natalidade; sistema de pensões e reformas e preços da eletricidade.
O autor acredita que "a integração europeia foi uma aposta ganhadora que está contudo ainda em evolução" e que "a Europa terá que ter o realismo e a coragem de implementar reformas estruturais que lhe permitam recuperar a sua competitividade num mundo globalizado.".

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27 abril 2016

100 HERÓIS E VILÕES QUE FIZERAM A HISTÓRIA DE PORTUGAL

Autor: PEDRO RABAÇAL
Editora: MARCADOR

Foi Viriato apenas um bandoleiro e pastor, ou um digno herói fundador da identidade lusa?
Que motivações terão levado D. Afonso Henriques a rebelar-se contra a própria mãe?
Quem era afinal a Padeira de Aljubarrota?
Diz-se que a História é feita pelos vencedores, diz-se também que o que hoje é verdade amanhã poderá ser mentira. Não será tanto assim, tal como o mundo nunca esteve dividido entre anjos e demónios. Terá havido personalidades mais angelicais que outras, é certo, e isso constata-se pelo conhecimento dos factos, pela interpretação das ações perpetradas, pelo contexto e no conforto com a nossa moral.

Este livro, que vai "desde da fundação da nossa identidade lusa e da nossa nação até ao recente século XX, desde reis a plebeus, portugueses ou estrangeiros, celebrados ou obscuros, estes 100 Heróis e Vilões, com os seus defeitos e virtudes, as suas ações mais grandiosas ou mais comezinhas, motivados por valores elevados ou por pura malícia, imprimiram indelevelmente o seu cunho na História de Portugal, e é a perceber a influência que tiveram, maior ou menor, fundamental ou anedótica, que o autor nos convoca.".
Com efeito, esta é uma obra para se ir lendo, algumas personagens por dia, para absorvermos o mais possível sobre estes heróis e estes vilões, que marcaram a história do nosso país.
Estes são os 100:
Viriato; Mártires de Lisboa; Itácio de Ossónoba; Sta. Iria; S. Sisenando; Mumadona Dias; D. Afonso Henriques; Ibn Qasi; D. Teresa; Egas Moniz; Iusuf I; Deuladeu Martins; Maria Pais Ribeira; D. Isabel; D. Pedro I; Leonor Teles; João de Portugal; Brites de Almeida; Nuno Álvares Pereira; D. Filipa de Lencastre; Infante D. Henrique; Duarte de Almeida; Vasco da Gama; Damião de Góis; Públia Hortênsia de Castro; D. João III; Cristóvão da Gama; Gaspar Caldeira; Fernando Oliveira; D. Henrique; S. Francisco Xavier; Grácia Mendes; Pero Fernandes Sardinha; D. Filipe I; Duque de Alba; Manuel Baptista Peres; D. Luísa de Gusmão; Miguel de Vasconcelos; Padre António Vieira; Juliana da Costa; D. Pedro II; (O escândalo) do Senhor Roubado; João Correia de Sousa; Luísa de Jesus; Luís de Meneses; D. João V; António José da Silva; Manassés ben Israel; Bandeirantes; Zumbi; Marquês de Pombal; Pina Manique; Marquesa de Alorna; Gomes Freire de Andrade; Tiradentes; Leonor da Fonseca; D. Carlota Joaquina; Napoleão Bonaparte; Junot; Loison; José Agostinho de Macedo; Duque de Wellington; Azeredo Coutinho; D. Miguel I; D. Pedro IV; José Joaquim de Sousa Reis; António da Costa Macário; João Brandão; Sá da Bandeira; Francisco Félix de Sousa; Duque de Saldanha; Diogo Alves; Maria da Fonte; Costa Cabral; Zé do Telhado; Alexandre Herculano; João Maria Ferreira do Amaral; Giraldinha; D. Carlos I; Padre Himalaya; Angelina Vidal; Afonso Costa; Adelaide Cabete; Carolina Beatriz Ângelo; Barros Basto; Aníbal Milhais; Paiva Couceiro; Alves Reis; António de Oliveira Salazar; Catarina Eufémia; Aristides de Sousa Mendes; Garrido e Branquinho; Fernando Silva Pais; Wong Kong Kit; Humberto Delgado; Casimiro Monteiro; Salgueiro Maia; Ribeiro Maia, D. Branca e, por fim, Emídio Guerreiro.

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26 abril 2016

BES - OS DIAS DO FIM REVELADOS

Autora: ALEXANDRA FERREIRA
Editora: CHIADO EDITORA

Passaram dezoito meses desde o desaparecimento do Banco Espírito Santo, no dia 3 de Agosto de 2014. Na casa da Pedra da Nau, Ricardo Salgado ouviu decretado o fim do banco de família pelo Governador do Banco de Portugal. Ao seu lado estava a mulher, Maria João. O dia foi talvez o pior das suas vidas. 
O Banco de Portugal e o Governo de então, liderado por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas justificaram a decisão de acabar com o banco como a única que não teria custos para os portugueses. Um argumento politicamente astuto mas que hoje se sabe que irrealista. 
Entre Julho e Outubro de 2015, Ricardo Salgado esteve impedido de sair de casa. Durante esses meses que viveu com resiliência assinalável, durante muitas horas de conversa, contou os dias do fim do banco que liderou mais de vinte anos. A história está longe de ser financeira. É politica, é familiar, é de pessoas que cometem erros. Não é um livro dobre culpas e responsabilidades. É o enredo de uma história com muitos protagonistas. Desengane-se quem pensa que só existe um. 

É difícil entender como é que o Banco Espírito Santo acabou, mas também é razoável acreditar que a culpa não foi exclusivamente de uma pessoa.
De qualquer forma, é importante percebermos os diferentes lados desta história. E é nesse contexto que surge esta obra. Afinal, qual é a versão de Ricardo Salgado? Neste livro, que se escreve entre o passado e o presente, o banqueiro fala do início do fim, de Zé Guilherme (o amigo de Ricardo Salgado, que lhe ofereceu num ato de gratidão - segundo o próprio - alguns milhões de euros), de Álvaro Sobrinho (que, segundo Ricardo Salgado, mentiu e escondeu informações relevantes que conduziram ao buraco no BES Angola), da família Espírito Santo, do Grupo Espírito Santo, de como preparou a própria sucessão (e de como ela aconteceu efetivamente) e, claro, do abismo em que o BES caiu.
Quanto aos lesados, que continuam a manifestar-se, "a questão a responder para estas pessoas é só uma: de quem é a responsabilidade do não pagamento de 597 milhões de euros a clientes de retalho do BES que compraram o papel comercial que era dívida das empresas do Grupo Espírito Santo. A resposta tem dois níveis de análise. Um pragmático, se há ou não dinheiro para pagar a estas pessoas. A outra obriga a refletir como se chegou aqui.".
Alexandra Ferreira, jornalista há 10 anos, publica neste livro a longa conversa com Ricardo Salgado, "onde conta como o banqueiro viveu os últimos dias do Banco a que presidiu quase 30 anos".

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21 abril 2016

TECNOHOSPITAL [73]

Revista: TECNOHOSPITAL
Número: 73

Com base na temática 'Arquitetura e Construção em Saúde', leia a entrevista ao arquiteto António Rocha Lobo, que "acompanhou vários modelos de construção hospitalar ao longo do seu percurso, desde o envolvimento total do Estado em todas as fases do processo até às Parcerias Público-Privadas (PPP). Embora reconheça a necessidade de haver técnicos especializados no Ministério da Saúde, capazes de transmitir conhecimentos e orientações, considera não ter havido perda de qualidade na construção".
De facto, em Portugal, a "entrada em cena de privados sem experiência de construção hospital legitima preocupações sobre a qualidade e o rigor destas obras", por isso, são levantadas algumas questões nesta edição da TecnoHospital, tais como, "Estarão estes atores capacitados para cumprir com as exigências associadas a estes edifícios? O sucesso de edifícios novos e da reabilitação estará dependente da iniciativa que estas empresas possam ter de consultar técnicos experientes? Será necessário mudar procedimentos?".
Neste sentido, são apresentados três artigos relevantes:
- Arquitetura e construção hospitalar, onde os autores levantam a questão: O que será mais difícil para os arquitetos? Fazer / projetar arquitetura na área de saúde ou abordar a história, conceitos e perspetivas de futura da arquitetura de saúde em Portugal?;
- Nascimento de um hospital, aqui o autor explica que "no contexto dos projetos hospitalares, a importância da etapa de conceção não oferece qualquer dúvida. Assumindo-se como uma das grandes responsáveis pelo sucesso ou insucesso de um equipamento de saúde, a conceção tem papel basilar na obtenção de qualidade, porque combina a organização do espaço e a estética, servindo de base à solução tecnológica;
- O edifício hospitalar a partir do século XVIII - As origens das instalações especiais, onde se demonstra como "a alteração dos métodos de construção, o aparecimento das instalações elétricas, as técnicas de ventilação e de climatização, de modo geral, do aparecimento e desenvolvimento das instalações especiais e das técnicas de construção do edifício hospitalar são alguns aspetos desta história" pois "constituem marcos importantes de transição para as soluções que hoje conhecemos".

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20 abril 2016

EGOÍSTA [57]

Revista: EGOÍSTA
Número: 57

Traição é o tema da atual edição da «Egoísta».
Mário Assis Ferreira, diretor da revista, introduz: 
"A traição é um estatuto. Do traidor e do traído.
Pois que não trai quem quer, só trai quem pode. E, para o poder, só um amigo tem esse estatuto.
Tal como o traído, na desprevenida confiança outorgada, na incauta confissão de sentimentos, na imerecida partilha de frustrações e anseios.
Dessa recíproca vulnerabilidade, só possível entre amigos, pode nascer a traição.
Talvez por isso a traição nasça de meras circunstâncias, mas não seja alheia a convicções.".
Os trabalhos apresentados nesta edição, como sempre de elevado nível, são:
*Serpentine, de Mark Laita (fotografia); 
*Uma questão de honra, de Mia Couto (texto); 
*Uma história romana, de Nuno Júdice (texto); 
*4 contos pueris, de Patrícias Reis e Rodrigo Prazeres Saias (texto e ilustração); 
*A medida do tempo, de Ana Dias Silva (texto); 
*Caravaggio (pintura); 
*A verdade do vinho, de Helder Macedo (texto); 
*Até tu?, de Pedro Vieira (texto); 
*Correr isolado para a baliza, de Afonso Cruz (texto e fotografia); 
*Where children sleep, de James Molison (fotografia); 
*Tetralogia: traição e atração na obra de Wagner - Do ouro do Reno à Valquíria (1856), de Yvette Centeno (texto); 
*Filho da destruição, de Luís Filipe Cunha (fotografia); 
*Traições em noite egípcia, de Pedro Almeida Vieira (texto); 
*Pedro Proença (texto e ilustração); 
*A mãe, de Teresa Pinto Leite (texto); 
*Samba em atropelo, de Lara Longle (texto); 
*Aquele que nos maltrata, de Ana Folhadela Figueiredo Pina (texto); 
*A Europa infiel, de Francisco Seixas da Costa (texto);
*Another November, de Laura Stevens (fotografia e texto).

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19 abril 2016

A FOME

Autor: MARTÍN CAPARRÓS
Editora: TEMAS E DEBATES


Na procura dos mecanismos que estão na origem da inanição em massa e da luta contra ela, Martín Caparrós derruba barreiras geográficas e históricas, o que torna este livro não só uma análise crítica da história da fome mas também uma viagem a diferentes regiões do mundo, das mais pobres a algumas das mais ricas: o Níger, a Índia, o Bangladeche, a Argentina, Madagáscar, o Sudão do Sul e os Estados Unidos da América. «Se o leitor ou a leitora se der o trabalho de ler este livro, se se entusiasmar e o ler em - digamos - oito horas, nesse intervalo terão morrido de fome 8000 pessoas: 8000 são muitas pessoas. Se não se der esse trabalho, essas pessoas terão morrido na mesma, mas terá a sorte de não ter sabido disso.»


Há um excerto que, de certa forma, resume uma parte do problema para o qual Martín Caparrós nos vai alertando ao longo do livro. "Por agora, a mecanização concentrada da agricultura deixou o mundo cheio de pessoas de que a empresa global não precisa. Não só os camponeses deslocados pela - concentração produzida pela - utilização de máquinas mais potentes nos campos da Argentina, do Brasil, da Ucrânia, mas também os que desesperam nos campos da Costa do Marfim, da Índia ou da Etiópia porque os seus produtos já não podem competir com os daquelas zonas.
Muitos deles sobrevivem plantando como podem as suas terras, obtendo rendimentos dignos da época de Cristo. É difícil negar que há formas melhores de as aproveitar. Entre 1700 e 1960, a população mundial quintuplicou e as superfícies cultivadas também. Mas nos trinta anos seguintes - durante a Revolução Verde - a população aumentou cerca de 80 por cento e a terra cultivada apenas 8 por cento: a quantidade de alimentos disponíveis cresceu porque as mesmas terras produziram mais tudo isso.
Mas agora os países ricos chegaram - ou estão a chegar - ao seu limite e procuram novos espaços fora das suas fronteiras. O problema é que esses espaços - como sempre aconteceu - estão ocupados. Essa população é um incómodo: sobra, aborrece-os; tentam livrar-se dela para usarem as suas terras em benefício próprio. Para o mundo produzir mais comida - a comida cujos restos poderiam alimentá-los - os descartáveis têm de desaparecer: não têm lugar neste esquema de desenvolvimento concentrado".
Martín Caparrós falou com muita desta gente desprotegida e conta-nos a realidade de algumas dessas pessoas. Por exemplo, o caso de Aï, "Aï nunca teve comida suficiente, nunca foi a uma cidade, nunca teve luz elétrica nem água corrente nem um fogareiro a gás nem uma retrete, nunca deu à luz num hospital, nunca viu um programa de televisão, nunca usou calças, nunca teve um relógio nem uma cama, nunca bebeu uma Coca-Cola, nunca comeu uma pizza, nunca escolheu um futuro, nunca pensou que a sua vida pudesse ser diferente do que é.".
Outro facto a realçar é a "fome de género", já que "há muitas culturas onde a pouca comida é distribuída de tal forma que os homens recebem mais do que as mulheres", que resulta em duas trágicas consequências, por um lado mais de mil mulheres morrem de parto por dia devido a deficiências nutricionais e, por outro lado, "todos os anos nascem 20 milhões de crianças que não se formam plenamente e começam a sua vida com um peso inferior àquele que deveriam ter e viverão assim, porque os corpos mal alimentados das mães não produzem o leite necessário. É o mais vicioso de todos os ciclos: mães mal alimentadas que criam filhos subdesenvolvidos.".
Estes são apenas alguns exemplos que vamos lendo nesta obra, que merece toda a nossa consideração.

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15 abril 2016

INDÚSTRIA & AMBIENTE [96]

Número: 96

A atual edição da «Indústria & Ambiente» destaca a indústria automóvel e de componentes.
António Guerreiro de Brito, diretor da revista, realça a forte mudança que se tem vindo a assistir no setor automóvel e "em especial no seu relacionamento com o condutor e com as cidades. Com efeito, perceciona-se a inevitável chegada das viaturas sem condutor, onde seremos uma espécie de viajantes instalados em computadores com rodas. Nessa fase, deixaremos de ser condutores ativos e poderemos começar a esquecer o exame de condução. Esta mudança, poderá, finalmente, encorajar uma outra no caminho da sustentabilidade, a mudança da perspetiva do produto para a do serviço, desmaterializando a propriedade".
Neste âmbito, leia a entrevista a Luís Reis, responsável pelo desenvolvimento de negócio associado à mobilidade do Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEIIA), onde, por exemplo, este "sintetiza a transição a que hoje assistimos de um conceito de automóvel enquanto produto para um conceito de automóvel enquanto parte integrante de uma rede de mobilidade perfeitamente articulada na dinâmica urbana" e "afirma que a indústria já está a acompanhar esta mudança de paradigma, bem como a mudança para uma eletrificação total ou parcial (através da hibridização) dos motores".
Recomendamos, também, a leitura dos artigos que completam o dossier «Indústria Automóvel e de Componentes», nomeadamente:
- Desenvolvimento de um motor BMW para funcionar como Range Extender;
- Projeto FST Novabase - protótipos de automóveis;
- Reciclagem de polímetros e compósitos de matriz polimétrica;
- Só a Europa é que não quis ver... Ainda sobre o escândalo da VW.

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12 abril 2016

BARRAGENS, SOCIEDADE E AMBIENTE

Autor: ANTÓNIO GONÇALVES HENRIQUES
Editora: ESFERA DO CAOS

Ao longo do século XX as barragens foram marcantes para o desenvolvimento económico e assumiram-se como elementos simbólicos de identidade das populações.
A emergência das preocupações ambientais, nas décadas de 1970 e 1980, obrigaria contudo a repensar os projectos de construção destas importantes infraestruturas. Com efeito, os rios constituem ecossistemas complexos, muito ricos e diversificados, que proporcionam serviços ecológicos indispensáveis para a própria sobrevivência da espécie humana. Mais de 60% dos rios, a nível mundial, foram fortemente modificados pela construção de barragens, que afectaram os ecossistemas fluviais.
Entretanto, o crescimento populacional e os desafios ao desenvolvimento que se acentuaram no início do século XXI, bem como a tomada de consciência acerca da necessidade imperiosa de controlar as emissões dos gases com efeito de estufa para prevenir as alterações climáticas, recolocariam de novo pressão sobre a premência de se construírem novas barragens, não só para a produção de energia, mas também para possibilitar a expansão da agricul­tura e o abastecimento de água em condições seguras.

Ao lermos este livro percebemos que os aproveitamentos hidráulicos "têm múltiplas configurações, em função dos usos da água que visam satisfazer, das condições naturais de ocorrências da água e dos locais onde são implementados", sendo as barragens um dos elementos principais destes aproveitamentos. As barragens, por sua vez, "introduzem sempre alterações nos cursos de água, modificando os regimes de escoamento e de transporte de sedimentos, e constituem barreiras para as espécies aquáticas migradoras, causando o fraccionamento dos habitats e dos ecossistemas aquáticos". Além disso, às barragens estão associadas obras anexas, que geram "impactes ambientais cumulativos com os impactes da barragem e da albufeira". 
Nesta obra, conseguimos entender quais são os impactes mais característicos sobre os diferentes fatores ambientais e de que forma estes se podem minimizar.
António Gonçalves Henriques explica que "sendo as barragens infraestruturas em que a avaliação de impacte ambiental é particularmente complexa, procurou-se, neste livro, explorar as vertentes da avaliação de impacte ambiental, explorando vários exemplos elucidativos e referindo as técnicas de análise que podem ser adoptadas" e, desta forma, "contribuir para uma melhor avaliação do impacte ambiental não só pelos promotores e pelas autoridades da Administração Pública, mas também pelo público interessado que é chamado a participar activamente.".

Mais informações sobre esta obra aqui!

08 abril 2016

O APRENDIZ DE GUTENBERG


Autora: ALIX CHRISTIE

Peter Schoeffer é um jovem ambicioso à beira de alcançar o sucesso como escriba em Paris quando o seu pai adotivo, o rico mercador Johann Fust, o convoca à cidade de Mainz para conhecer um homem extraordinário.
Gutenberg, inventor de profissão, criou um método revolucionário – há quem diga blasfemo – de produção de livros: uma máquina a que chama de prensa. Fust está a financiar a oficina de Gutenberg e ordena a Peter que se torne o seu aprendiz. Ressentido por ser forçado a abandonar uma carreira tão prestigiante como escriba, Peter inicia a sua aprendizagem na “arte mais negra”.
À medida que as suas habilidades crescem, assim cresce também a admiração por Gutenberg e a dedicação a um projeto ousado: a impressão de cópias da Bíblia Sagrada.
Mas quando forças externas se alinham contra eles, Peter vê-se num dilema entre os velhos costumes e as novas criações que ameaçam transformar o mundo. Conseguirá ele encontrar uma forma de superar os obstáculos numa batalha que poderá mudar a História?

Baseado em eventos e pessoas reais, este romance histórico faz-nos recuar no tempo e imaginar como seria olhar pela primeira vez para uma página impressa.
Apesar da relutância inicial de Peter perante esta nova arte e depois de alguns contratempos sobre a obra a selecionar para imprimir, o grupo foi arrojado. "Se o papa, o cardeal, o prior não podiam dar a Gutenberg um texto a imprimir, então eles iam escolher e imprimir o que quisessem." De facto, assim foi e a Bíblia Sagrada foi a escolha deles. "Para aquele livro todo-poderoso, cada homem trouxe o seu conhecimento específico, que despojou na forja da criação."
Seguiram-se alguns debates sobre como produzir o livro, já que "a Bíblia tinha de ser um livro de ambão, naturalmente: grande o suficiente para os monges lerem no refeitório, mas austero e dentro dos meios de qualquer abade."
Gutenberg "era o tipo de homem que insistia até as coisas cederem, um bruto capaz de extrair deles mais do que alguma julgariam ter.", no fim de contas "o verdadeiro génio de Gutenberg residia na ordenação do trabalho, em decompor e rearranjar todas as peças.". De facto, mais do que o interesse que a impressão nos vai despoletando ao longo do livro, é Gutenberg que nos prende neste enredo, contado pelo aprendiz Peter Schoeffer ao abade Trithemius. Do início ao fim há uma pergunta que nos vem à cabeça: o que é que Gutenberg fez? A resposta, claro, deixamos que sejam vocês a encontrar.

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01 abril 2016

SEGURAR LOUCOS OU EMPURRAR ELEFANTES - Conversas sobre gestão de pessoas com líderes empresariais portugueses

Autor: RUI NASCIMENTO ALVES
Editora: EDITORA RH

Muitas organizações nacionais, apesar da adversidade dos tempos mais recentes, de um ciclo económico e social desfavorável, conseguiram manter-se viáveis, tornar-se mais robustas, lançar e desenvolver novos negócios, inovar, exportar e, com tudo isso, tornar-se mais competitivas e rentáveis.
Fizeram-no através de uma forma diferenciada de gestão dos seus líderes, colaboradores e equipas. Estes gestores e empresas optaram por estratégias radicalmente diferentes ou focaram-se no essencial? Quais os seus segredos para atrair, reter, desenvolver, motivar, compensar e reconhecer as suas pessoas? O que podemos aprender com as suas práticas de gestão?

São 30 as entrevistas que fazem parte deste livro e as organizações são as seguintes: Abreu Advogados, Almadesign, Banco Alimentar Contra a Fome, Banco Carregosa, Bensaude, Bluepharma, CIN, Critical Software, Delta Cafés, Ervideira, Four Views Hotels, Frezite, Gelpeixe, GENERG, Grupo Luís Simões, H3, Instituto S. João de Deus, Ivity Brand Corp., José Avillez, Manuel Ramos - M.A.R. Kayaks (Nelo), Nutri Ventures, Pelcor, Procalçado, RESUL, Santini, Science4you, Sovena, Thema Hotels & Resorts, WeDo Technologies e, ainda, o Wygroup.
Em cada entrevista ficamos a conhecer um pouco da evolução da empresa em geral e depois, em concreto, alguns aspetos relacionados com a questão dos recursos humanos e dos desafios que cada empresa enfrenta. Por exemplo, faziam ideia de que um negócio como o da Santini tem alguma dificuldade em manter os funcionários durante muito tempo, por ser um negócio de certa forma sazonal? Ou, o caso da Thema Hotels & Resorts que assume ser mais fácil manter os funcionários em Coimbra (porque são mais ligados à terra) do que em Lisboa (onde ficam, em média, dois anos)? São vários os pormenores com os quais cada empresa tem de lidar no dia-a-dia, devido ao seu ramo de atividade, ou localização, ou política interna, entre outros aspetos, e que tornam cada caso único.
Consideramos, portanto, que este livro é bastante interessante para os estudantes e profissionais da área dos recursos humanos, bem como, para o público em geral.

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