16 março 2016

OS USURPADORES - Como as empresas transnacionais tomam o poder

Autora: SUSAN GEORGE
Editora: BIZÂNCIO

Lobistas ao serviço de uma empresa ou de um sector industrial, presidentes executivos de empresas transnacionais, instâncias quase estatais dotadas de redes tentaculares que se estendem muito para lá das fronteiras nacionais: uma multidão de indivíduos cujo único objectivo é a acumulação de lucros, está a tomar o poder e a orientar em seu benefício as grandes decisões políticas. 
Estes usurpadores ingerem-se nos grandes temas mundiais à força de financiamentos e de trocas de favores, infiltram-se nas Nações Unidas e trabalham para construir um mundo à sua imagem. 

Susan George introduz que "não é apenas a dimensão, a enorme riqueza e os ativos que tornam as ETN (Empresas Transnacionais) perigosas para a democracia. É também a sua concentração e coesão, a sua cooperação entre si e a sua capacidade de influenciar, de se infiltrar, e em certas áreas de se substituir, na prática, aos governos. Atuam como uma verdadeira «autoridade» internacional, determinada a defender os seus interesses comerciais, o seu poder e os seus lucros em detrimento do bem comum".
Neste livro a autora afirma que, na Europa, segundo "estimativas informais" existem entre "10 000 a 15 000 lobistas em contacto permanente com eurodeputados, comissários e outros altos funcionários das direções-gerais". Esses lobistas "têm por missão promover a junk food, os OGM, o tabaco, produtos químicos e medicamentos perigosos, os maiores emissores de gases com efeitos de estufa, os maiores bancos e tudo o mais que as ETN europeias desejem conseguir".
Um facto alarmante é "ignorarmos o número exato de lobistas que operam na Europa, e muito menos o que gastam e a identidade dos seus interlocutores".
A autora realça, também, que "ceder sem a mais pequena hesitação às pressões das empresas e entregar o poder judicial ao setor privado parece não incomodar a Comissão Europeia (nem, obviamente,o governo dos Estados Unidos). Os Estados-Membros da UE e os seus contribuintes terão de pagar os custos dos processos judiciais e as indemnizações atribuídas às empresas que reclamarem ter sido lesadas nos seus lucros devido à interferência de governos eleitos".
Numa tentativa de regulamentar a atividade dos lobistas, Susan George refere que "um registo obrigatório das atividades de lóbi, não apenas a nível europeu mas em cada país, é um objetivo a perseguir até podermos efetivamente controlá-las".
Para conhecerem mais detalhes sobre as atividades lobistas, vale mesmo a pena lerem este livro, onde de uma forma muito direta a autora revela, de facto, como as grandes empresas têm mais poder do que os governos.

Pode comprar este livro aqui!

Nenhum comentário:

Postar um comentário