02 fevereiro 2015

ESCOLA DO PORTO: LADO B | 1968-1978 (Uma história oral)

Autores: NUNO FARIA & PEDRO BANDEIRA
Editora: SISTEMA SOLAR

«Há momentos na história (da arte, da arquitectura) em que se torna particularmente aguda a necessidade de haver uma separação das águas, uma radicalização dos conceitos e das práticas, uma superação dos meios e da linguagem. O livro "Escola do Porto: Lado B" revisita, em forma de história oral, um conjunto de propostas de intervenção não conformistas e indisciplinadas que, entre 1968 e 1978, no seio da ESBAP, questionaram radicalmente o modelo dominante e que, sendo algumas delas extraordinariamente actuais, encontram no CIAJG, em articulação com o projecto Parque de Ricardo Jacinto, o lugar e o tempo certo para serem reconsideradas. "Escola do Porto: Lado B" nasceu de um notável trabalho de campo realizado por Pedro Bandeira, na senda de outros inovadores projectos que vêm definindo uma marca autoral transdisciplinar, que mescla, com rara subtileza, rigor na investigação e ironia na proposição. Evocando o espírito da época, poderíamos dizer que este é um dos momentos em que as atitudes se tornaram forma.»Nuno Faria

Este é um catálogo publicado por ocasião da exposição "Escola do Porto: Lado B – 1968-1978 (Uma história oral)" [25 de Outubro 2014 – 11 de Janeiro 2015, na Plataforma das Artes e da Criatividade / CIAJG, Guimarães], produzida pelo Centro Internacional das Artes José de Guimarães.
É uma edição bilíngue, em português e em inglês, e conta com vários testemunhos que resultam de uma série de vinte e três entrevistas informais.
Neste livro poderá encontrar o 'lado b' da história oficial, ou seja, "histórias que oscilam entre dois pólos: entre a utopia social e política fortemente influenciada pelo Maio de 68; e a utopia formal e disciplinar que caracterizou o pensamento radical na década de 1970.".
Assim, poderá ler sobre a 'Organização insurreccional do espaço', um projeto desenvolvido em 1975 pelos alunos Mário Ramos e Fernando Barroso, que se apresenta "como uma visão crítica de todas as formas de poder político e ideológico" e onde "a sua maior dimensão crítica reside no seu âmbito disciplinar, ao anular parcialmente um dos espaços mais emblemáticos da cidade do Porto: a Avenida dos Aliados.". Em seguida este livro guia-nos até ao 'requiem por uma experiência', que se refere ao "regime experimental" do ano letivo 1960-70, na ESBAP, organizado por temas e não por anos, sem horários nem faltas, que incentivou alguma liberdade nas metodologias de ensino, mas que não se veio a repetir. Daqui partimos para a 'responsabilidade social', onde os alunos de Teoria e História I (de 1970-71) foram desafiados por Octávio Lixa Filgueiras, a criar um "atlas" de imagens recortadas, que englobou temas como a cidade, o quotidiano, o transporte, a poluição, a habitação, o progresso, a tecnologia e, ainda, o futuro, onde "alguns trabalhos arriscam, ao sabor da primavera marcelista, a denúncia dos problemas da habitação e das desigualdades sociais". Quanto à 'arquitetura analítica' Lixa Filgueiras pediu aos alunos para fazerem um levantamento à escala de 1:100 e 1:20, de todas as casas e comércios do bairro do Barredo no Porto. "Os levantamentos de Filgueiras dão conta de uma realidade urbana, quotidiana, tomada a partir de dentro". 
Entre outros, também a 'ecologia' foi tema relevante, tendo como resultado, por exemplo, uma exposição em 1975 sobre 'ecologia e energias verdes', na Avenida dos Aliados, "que alertava para as questões relacionadas com a poluição, as variações climáticas, o perigo da radioatividade, o esgotamento das matérias-primas, etc.".
Já o processo 'SAAL', desenvolvido na ESBAP, partiu do princípio do 'direito à habitação' reivindicado pela população já em liberdade e da reivindicação do 'direito à cidade'. O SAAL levantou questões como a autoconstrução, a ocupação de espaços devolutos ou desabitados e o desurbanismo. De facto, "o SAAL norte foi um momento de empenhamento de alunos e professores numa causa excepcional que não teve mais repercussão. Antes pelo contrário, a sensibilidade ao tema social, revelou-se inversamente proporcional ao crescimento da escola e do seu reconhecimento internacional".
Como finda Pedro Bandeira "O que podemos nós aprender com o 'Labo B' da 'Escola do Porto'? Havia alternativas, havia experimentação, havia radicalidade, havia (por mais paradoxal que pareça) pensamento livre em tempo de ditadura, havia esperança e sentido de futuro e não menos importante, havia espaço para errar.".
Por tudo o que foi aqui exposto só podemos concluir que este livro deve fazer parte das leituras de todos os aspirantes a arquitetos.

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