29 agosto 2014

A NOITE INTEIRA JÁ NÃO CHEGA

Autora: ROSA LOBATO DE FARIA
Editora: BABEL

“Rosa Lobato de Faria (ela, que conhece como raros a música da palavra) tem a coragem de, por assim dizer, restituí-­la à sua condição rítmica essencial, despojada e inteira. No percurso da memória, a palavra dispensa qualquer forma de maquilhagem. Os poemas deste livro confirmam assim um dom muito raro que é o da espontaneidade na elaboração.” – in Luís Forjaz Trigueiros 

Vasco Rosa, inicia com uma nota editorial recordando que "a poesia foi sem dúvida a fonte da vocação literária de Rosa Lobato de Faria, que ao longo dos anos extravasou a quase todos os campos da criação escrita, ao mesmo tempo que ela sempre manteve o prazer e a competência de declamar muito bem versos de outros poetas (e seus) nos mais variados ambientes culturais e circunstâncias".
Neste contexto, os Herdeiros de Rosa Lobato de Faria homenagearam a autora, nos oitenta anos do seu nascimento, com esta obra, que reúne poemas de 1983 a 2010.
Uma verdadeira obra de arte, tanto no conteúdo (indiscutivelmente precioso), como na forma em que nos é apresentado.
Este livro é, certamente, um precioso documento para todos os fãs da autora, e da poesia em geral.

Mais informações sobre este livro aqui!

28 agosto 2014

A INSTALAÇÃO DO MEDO

Autor: RUI ZINK
Editora: TEODOLITO

Dois homens batem à porta. «Bom dia, minha senhora, viemos para instalar o medo. E, vai ver, é uma categoria».

O medo, esse malandro. É-nos apresentado por dois homens (que o vão instalar) e até temos direito à demonstração do produto. Já imaginaram? É, de facto, uma categoria.
Segundo a "Directiva nº 359/13. Portaria 8: 'Todos os lares devem ter o medo instalado num prazo de 120 dias" e para isso um dos homens explica que "não cabe só a nós instalar o medo, é preciso que também haja, da parte dos concidadãos, um estado de disponibilidade mental (eu diria mesmo moral) para aceitar o medo. É como um sinal. Não é só importante que a emissão do sinal seja forte, é também conveniente que a recepção o seja".
Com muita criatividade, Rui Zink instalou o medo. Fortemente recheado de alusões políticas e económicas (os mercados, por exemplo, são por vezes referidos), este livro carregado de medos consegue ser divertido.
E no final... surpreende, porque os maus estão onde menos se espera.

22 agosto 2014

NO CÉU NÃO HÁ LIMÕES

Autor: SANDRO WILLIAM JUNQUEIRA
Editora: CAMINHO

No Céu não Há Limões descreve um mundo em guerra entre o Norte rico e o Sul pobre, em que os pobres do Sul tentam por todos os meios ter acesso ao bem-estar do Norte, e os do Norte usam de todos os meios para conservar a sua riqueza só para si.
Sandro William Junqueira não apresenta soluções, mas à medida que o livro se aproxima do final uma personagem se destaca – o padre –, procurando uma saída. Será esta uma saída?
O autor não dá a resposta. A resposta fica com cada um de nós, porque este é o nosso mundo.

Ao que parece, no céu não há, efetivamente, limões.
Talvez por isso, o ogre ainda não queira ir para lá, ou talvez não.
Numa das passagens do livro o autor escreve "ao olhar homens, mulheres, descendentes, crentes ou não-crentes, desapossados, desprotegidos, o Padre era forçado a admitir: um crente pegajoso não diverge assim tanto de um ateu convencido. Ambos trazem consigo toneladas de ambição tolas, arrogantes. E somente uns miligramas de humildade.". Será também este o nosso mundo? Teremos apenas alguns "miligramas de humildade"? Teremos nós direito à tal saída?
Este romance mexe com o leitor, levanta questões e faz refletir.

[Sandro William Junqueira nasceu em 1974 em Umtali, na Rodésia. Experimentou a música, escultura, pintura. Foi designer gráfico. Diz poesia e trabalha regularmente como ator e encenador. Leciona expressão dramática. É autor de projetos e ateliês de promoção do livro e da leitura. Em 2012 foi considerado um dos escritores para o futuro pelo semanário Expresso.]

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21 agosto 2014

O FUTURO DA MENTE

Autor: MICHIO KAKU
Editora: BIZÂNCIO

Michio Kaku leva-nos numa visita guiada ao que o futuro da mente nos reserva, do ponto de vista de um físico. Não só nos explica de forma consistente como funciona o cérebro, como também nos indica como as tecnologias de ponta poderão vir a alterar o nosso quotidiano permitindo-nos uma outra compreensão das doenças mentais e da inteligência artificial. Com o conhecimento que Michio Kaku tem da ciência moderna, e dada a sua capacidade de prever os desenvolvimentos futuros, O Futuro da Mente é uma obra imperdível sobre a expansão das fronteiras das neurociências.

Na linha dos anteriores trabalhos de Michio Kaku (ex: A Física do Futuro), este é um livro que vai cativar o leitor desde o início. Isto porque Michio Kaku tem a capacidade de abordar uma temática tão complexa como a mente e explicá-la de forma acessível a um público alargado, o que só está ao alcance de um especialista, ou alguém com  paixão pelo tema em questão, como é o caso de  Michio Kaku.
O autor propõe uma leitura sobre o futuro da mente em três momentos. Em primeiro lugar vamos perceber como funciona o cérebro e a evolução desta "ferramenta" ao longo da história. Neste ponto, o autor fala ainda sobre as tecnologias que se encontram atualmente à disposição dos cientistas para o estudo do cérebro. A primeira parte do livro não fica completa sem o autor expressar a perspetiva que tem, como físico, sobre a consciência. Sendo a consciência central para o debate sobre a mente, Michio Kaku apresenta ainda uma definição de consciência, que engloba o reino animal, naquele que é um dos pontos de grande interesse neste livro.
A segunda parte da obra é dedicada à interface cérebro-máquina (ICM), onde podemos ler sobre tecnologias que permitem a gravação de memórias, a leitura da mente, o registo de sonhos em vídeo e a telecinesia. Em suma, o autor avalia como as tecnologias irão evoluir e como estão em curso projetos nos quais os computadores, em interação com o cérebro, possam manipular os objetos que o rodeiam. Na terceira parte Michio Kaku analisa formas não convencionais de consciência, dos sonhos, drogas e doença mental, dando uma perspectiva sobre como no futuro o cérebro poderá ser controlado e manipulado para tratar doenças como a depressão, Alzheimer, Parkinson e outras. 
Neste livro também é explorada a consciência não humana (robots), e a ideia da física quântica de que a consciência é possivelmente a base fundamental da realidade.

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13 agosto 2014

COMO SE ESCREVE UM ROMANCE POLICIAL

Autor: G. K. CHESTERTON
Editora: ALÊTHEIA

Mais um texto notável, a juntar à colecção que a Alêtheia tem vindo a publicar de G.K. Chesterton, o criador de Padre Brown, cujas histórias detectivescas ao melhor estilo britânico nos agarram até à última página. Nesta obra, Chesterton debruça-se sobre o método e a crítica à escrita deste género literário e com a sua natural acutilância (sempre actual apesar da época) analisa os melhores da literatura mundial.

O autor começa por explicar que tem total consciência de que nunca conseguiu escrever um policial, mas que o facto de ter fracassado muitas vezes significa que tentou.
Chesterton apresenta alguns princípios fundamentais para se escrever um livro deste género, depois aponta os erros cometidos por alguns autores de romances policiais, como por exemplo, "fazer das personagens humanas personagens-tipo - não tanto porque o autor não seja suficientemente inteligente para descrever personagens reais, mas porque está realmente convencido de que é um desperdício fazê-lo num tipo de literatura que é irreal". O autor, toca também em pontos como: o ideal do romance policial; o romance sensacionalista e a domesticidade do detetive. Sherlock Holmes também faz parte da análise de Chesterton, que por um lado afirma que "as histórias de Sherlock Holmes são narrativas de ótima qualidade, divertidas e conscenciosas", porém há erros a assinalar, como o "erro de apresentar um investigador que é indiferente à filosofia e à poesia, dando a entender que a filosofia e a poesia não caem bem a um investigador".
Posto isto, Chesterton entra em defesa deste género literário, afirmando que "quem queira compreender verdadeiramente a razão psicológica da popularidade do romance policial, terá de começar por se libertar de uma série de lugares-comuns". O autor, escreve ainda sobre a inocência do criminoso e Cecil Chesterton sobre o romance policial como obra de arte, onde sustenta que "nenhuma forma artística foi um alvo tão claro desta condenação indiscriminada como o tipo de narrativa habitualmente designada por romance policial".

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08 agosto 2014

CONSTRUÇÃO MAGAZINE [61]

Número: 61

Nesta «Construção Magazine», que tem como tema principal a ‘Arquitetura e Tecnologia’, pode acompanhar, a conversa entre o arquiteto João Mendes Ribeiro e o projetista Paulo Maranha, sobre os desafios colocados à arquitetura, pela própria natureza da profissão, pela conjuntura e pela necessidade de responder às necessidades dos clientes.
No dossier, poderá ler sobre:
- ‘Betão de ultra-elevado desempenho: da investigação em engenharia de materiais à concepção em arquitectura. Dois projectos de Eduardo Souto Moura’, onde a autora considera que os resultados obtidos com este projecto, “notáveis no campo da arquitectura, da engenharia e da indústria”.
- ‘A importância da teoria da construção na comunicação de um projecto à obra’, aqui conclui-se  que “para se atingir um elevado grau de eficácia no projecto de arquitectura na fase de comunicação à obra em Portugal, terão que existir profundas alterações ao nível técnico legal e conceptual o processo do projecto/construção”.
- ‘A inovação na arquitetura – o palácio de cristal como referência da prática projetual’, artigo no qual o autor lembra que “no Palácio de Cristal, o ferro é tema central de projeto e assume o protagonismo integral no exercício de composição arquitetónica”. 
- ‘O tempo do paradoxo: a inovação pela reabilitação’, os autores apresentam um conjunto de trabalhos, nomeadamente: a Casa do Chá no Castelo de Montemor-o-Velho; o Centro de Artes Visuais; o Palheiro na Cortegaça; o Laboratório Chimico; a Casa da Escrita e, ainda, o Centro de Artes Contemporâneas dos Açores.
- ‘Inovação e projeto na arquitetura – o ensino e a investigação’, onde o autor afirma que “a missão duma universidade tem três vertentes essenciais, o ensino, a investigação e a extensão”.

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04 agosto 2014

INDÚSTRIA & AMBIENTE [86]

Número: 86

Os recursos minerais e os solos são o foco da edição nº86 da revista «Indústria e Ambiente».
Neste âmbito, descubra no dossier desta edição por que é que “a indústria mineira portuguesa tem vindo a fazer um grande esforço de adaptação para tornar o processo de flutuação mais amigo do ambiente”, contudo “ alguns produtos ainda usados são potencialmente tóxicos”.
Saiba quais são as vantagens da remediação por eletrocinética; e por que motivo “subsistem lacunas de conhecimento sobre a extensão da contaminação de solos resultante da atividade mineira em Portugal”.
Perceba como “as escombreiras em autocombustão representam um impacte ambiental ainda mais significativo devido à libertação descontrolada de gases com efeito de estufa, emissão de compostos orgânicos voláteis, partículas, elementos tóxicos, etc”.
E fique também a par das políticas públicas, intervenções e resultados do processo de reabilitação ambiental de áreas mineiras degradadas em Portugal, com ênfase nas dos minérios radioativos.
A grande entrevista desta edição foi feita a Carlos Caxaria, presidente da EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, que destacou a evolução de Portugal no setor mineiro e de descontaminação dos solos, granjeada através da alocação de fundos comunitários a diversos projetos.

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01 agosto 2014

A RÁDIO EM PORTUGAL - 'Sempre no ar, sempre consigo'

Autor: ROGÉRIO SANTOS

O aparelho de rádio estava ali, num lugar central da sala. À minha memória afluem os ruídos do rádio quando sintonizado em ondas curtas, com o meu pai a procurar não sei bem o quê nessas ondas. Talvez porque começara a ouvir as emissões em português da BBC desde a II Guerra Mundial, à espera de informação verdadeira sobre a realidade do nosso país. Ele nunca me conseguiu explicar a origem de ruídos e sons se ouvirem mais altos e mais baixos, vindos daquelas ondas, às vezes desaparecendo no meio de outros sons. Lembro-me, em igual época, das emissões em ondas médias, com vozes graves de locutores e muita música. Na magia da infância, procurei o dono da voz por detrás da telefonia, mas ele não estava, o que aumentou o meu fascínio e curiosidade.

O livro «A Rádio em Portugal - 'Sempre no ar, sempre consigo' (1941-1968)» surge no seguimento do livro «Vozes da rádio (1924-1939)», editado em 2005. 
Segundo Rogério Santos, "o objetivo principal deste livro é investigar o contributo cultural da rádio e a relação da sua programação com um mundo mais vasto, o da música, incluindo a promoção de artistas, a realização de espetáculos, a promoção de fonogramas e o modo como a rádio e os jornais se articulavam". Além disso, ao autor teve como missão "interrogar a relação das instituições públicas do Estado Novo com as estações, os programadores e os autores". Para isso, Rogério Santos interrogou-se sobre: o impacto político e ideológico na programação das estações; a importância dos produtos independentes na rádio; que inovações estéticas e de programação introduziram; que alterações estruturais ao longo de quase trinta anos de emissões radiofónicas e, ainda, qual o peso relativo de cada estação ou grupos de estações.
Com efeito, este livro é bastante rico e tem indubitavelmente enorme valor cultural.

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