29 maio 2014

O ESTRANHO CASO DE SEBASTIÃO MONCADA

Autor: JOÃO PEDRO MARQUES
Editora: PORTO EDITORA

Correm tranquilamente os primeiros dias de Junho de 1832 quando um casal desconhecido vem alojar-se numa estalagem da Foz do Douro. Ele é um homem de meia-idade e porte altivo, chamado Sebastião Moncada, e ela, uma mulher mais nova, de olhar assustado e gestos inquietos.
O casal chega rodeado de uma atmosfera de mistério, cuja persistência vai exigir a intervenção da Polícia. Mateus Vilaverde é o oficial da Guarda Real que fica encarregado do caso, mas a sua investigação complica-se extraordinariamente com a chegada do exército liberal de D. Pedro, que, desembarcado nas praias do Mindelo, ocupa a cidade do Porto. É, então, num cenário de guerra que Mateus vai descobrindo a história de Sebastião Moncada. Mas à medida que o vai fazendo vê-se impelido a investigar-se a si próprio e a confrontar-se com os seus afectos, desejos e fantasmas.
Tendo como pano de fundo o Portugal das Guerras Liberais e o estoicismo das gentes do Porto, cercadas durante mais de um ano pelo enorme e impiedoso exército miguelista, O Estranho Caso de Sebastião Moncada é um romance sobre a importância do acaso e das coincidências na vida humana e sobre a coragem necessária para enfrentar e viver as consequências de um grande amor.

Duas estórias marcam a narrativa deste livro, por um lado, Sebastião Moncada e Francisca, e por outro, Mateus Vilaverde e Luísa. Ambos os casais vivem um amor clandestino e é precisamente este o fio condutor do livro, cuja narrativa se situa na época das Guerras Liberais e do confronto entre D.Pedro e D.Miguel. É também dada a conhecer uma cidade do Porto onde à data reinava a miséria e o poder desmedido. No todo, é possível encarar este livro como uma aula de história romanceada e bem conduzida pelo autor. Um livro recheado de descrições que nos envolvem na história do Norte de Portugal do século XIX. Além do Porto, podemos conhecer outras cidades como por exemplo Penafiel, sendo interessante para quem as conhece fazer uma comparação entre o passado descrito nesta obra e o presente.
«Mistério, paixão e coragem» são as três palavras que definem esta obra.

José Pedro Marques é autor foi professor e é autor de vários artigos relacionados com a época colonial, sendo ainda autor de outros livros, por exemplo, «Uma fazenda em África», também editado pela Porto Editora.

Pode comprar o livro aqui!

02 maio 2014

O FIM DO PODER

Autor: MOISÉS NAÍM
Editora: GRADIVA


Numa investigação original e muito bem fundamentada, Naím mostra como o impulso anti-establishment dos micropoderes pode derrubar tiranos, desalojar monopólios e abrir novas e extraordinárias oportunidades, mas também levar ao caos e à paralisia. Naím cobre habilmente as mudanças sísmicas em curso no mundo dos negócios, da religião, da educação, das famílias, com exemplos retirados de todas as áreas da actividade humana. Acessível e convincente, O Fim do Poder constitui um olhar revolucionário sobre o fim inevitável do poder – e sobre como esse fim irá mudar o nosso mundo. 

Enquanto ministro do Desenvolvimento do governo da Venezuela (finais dos anos 80), Moisés Naím experienciou "um desfasamento entre a percepção e a realidade do meu poder", ou seja, constatou as limitações desse poder. Caraterística que tem vindo a confirmar ao longo dos anos através do contato com personalidades detentoras de poder, de diferentes domínios, que partilham o mesmo pensamento e confirmam a teoria da decadência do poder (o autor refere que este livro não é um apelo a que se tenha pena dos que estão no poder).
Antes de mais o objetivo é avaliar o impacto da decadência do poder - para o bem e para o mal. Para isso o autor apresenta a sua definição de poder com rigor, sendo o poder "a capacidade de orientar ou de prevenir as ações presentes ou futuras de outros grupos e indivíduos". Segundo o mesmo, o poder pode ser expresso através de quatro canais, o músculo (força), o código (apelo ao sentido moral), a promoção (mudança na percepção para nos levar a escolher algo) e a recompensa (recurso a benefícios).
A teoria proposta por Moisés Naím assenta nas fragilidades das barreiras ao poder, sendo agora mais fácil chegar ao topo essa posição torna-se efémera. De acordo com o autor, isto acontece devido à ascensão dos micropoderes potenciada por três revoluções: a revolução do mais - aumento de tudo, mais países, populações, melhor nível de vida; a revolução da mobilidade - dinheiro, pessoas, bens e ideias movimentam-se como nunca antes; e a revolução das mentalidades - mudanças de expetativas e aspirações.
O livro tem muito interesse porque as observações do autor são transversais a várias entidades e também porque foge às leituras tradicionais sobre o poder, que evocam sistematicamente a posição antagônica entre potências (análise geopolítica, particularmente do paradigma E.U.A. e China), e o foco na internet. 
Interessante, também, é a discussão sobre as consequências negativas que a fragilidade do poder, no seu todo, podem ter para a nossa vida. Isto é, um mundo onde não exista autoridade é um mundo onde se torna mais difícil tomar decisões, as vidas são "governadas por incentivos e medos de curto prazo, e menos poderemos planear as nossas ações e projetar o futuro". Como já foi avançado por alguns filósofos, a dispersão do poder pode conduzir ao caos e anarquia. 

Pode comprar o livro aqui!