16 outubro 2014

HISTÓRIAS FALSAS

Autor: GONÇALO M. TAVARES
Editora: CAMINHO

Arrogante, mais do que era seu costume, cheio de vaidade pela riqueza que ostentava e pelo estômago farto, Mercatore disse, para Diógenes:
– Se tivesses aprendido a bajular o rei, não precisavas de comer lentilhas.
E riu-se depois, troçando da pobreza evidenciada por Diógenes. O filósofo, no entanto, olhou-o ainda com maior arrogância e altivez. Já tivera à sua frente Alexandre, o Grande, quem era este, agora? Um simples homem rico?
Diógenes respondeu. À letra:
– E tu – disse o filósofo – se tivesses aprendido a comer lentilhas, não precisavas de bajular o rei. 
De «A história de Listo Mercatore»

O que é que pode encontrar neste livro?
"Breves narrativas: desvios ficcionais na história da filosofia antiga".
Ao todo são nove histórias "escritas no mesmo período" embora "publicadas em momentos muito distintos, em revistas portuguesas e numa antologia de contos (Jovens escritores para a nova Europa) publicada em italiano e húngaro.
Gonçalo M. Tavares escreveu estas histórias pois pretendia "em primeiro lugar, exercer um ligeiro desvio do olhar em relação à linha central da história da filosofia; por outro lado, tinha curiosidade em perceber o modo como a ficção (verosímil ou nem tanto) se pode encostar suavemente a um fragmento da verdade até ao ponto em que tudo se mistura e se torna uniforme".
Assim sendo, desafiamos os nossos leitores a conhecerem as histórias de: 'Julieta, a santa da Baviera'; de 'Lianor de Mileto'; de 'Listo Mercator'; de 'Metão, o Pequeno'; dos 'Tiranos'; de 'Aurius Anaxos'; de 'Elia de Mirceia', de 'Faustina, a Medrosa', e ainda, a história de 'Arquitas'.

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