23 outubro 2014

DA EUROPA DE SCHUMAN À NÃO EUROPA DE MERKEL

Autor: EDUARDO PAZ FERREIRA
Editora: QUETZAL

«Que reste-t-il de nos amours?» É a indagação nostálgica de uma bela canção de Charles Trenet, dos tempos da grande música europeia. É, também, de algum modo, o fio interrogativo de um livro em que se questiona a forma como foi possível passar de uma construção europeia destinada a assegurar a solidariedade e a prosperidade de um continente devastado - criando estruturas jurídicas de organização social e económica que se impuseram ao Mundo -, para um continente cada vez mais irrelevante, cujos valores fundadores se desvaneceram quase por completo. Como se passou de um projecto comum, em que todas as vozes e vontades se juntavam, a um (des)agregado de países, alguns unidos por pouco mais do que uma moeda comum, em que os interesses nacionais a tudo se sobrepõem, e os conflitos e ódios florescem? Onde errámos? Nos termos da própria criação do Mercado Comum? No Tratado de Maastricht e nas suas revisões? Nos poderes não controlados, outorgados a um grupo de políticos com legitimação frágil e a uma massa anónima de eurocratas insensíveis? Ou teremos errado ao criar o ambiente que levou à passagem de uma Alemanha Europeia a uma Europa Alemã?

Contextualizando a evolução da Europa de forma exemplar, Eduardo Paz Ferreira reforça ao longo do livro "a passagem da Alemanha de Estado tolerado e integrado, de forma que o seu poder não ameaçasse a Europa, ao Estado em que tudo pode e em tudo manda, com fortes consequências na natureza da União Europeia e no quotidiano das suas populações".
Com efeito, Eduardo Paz Ferreia, recorda um documento oficial que retrata a História da integração europeia nos seguintes períodos:
- 1945-1959: Uma Europa pacífica - Início da cooperação;
- 1960-1969: Um período de crescimento económico;
- 1970-1979: Uma comunidade em expansão - O primeiro alargamento;
- 1980-1989: A fisionomia da Europa em mutação - A queda do Muro de Berlim;
- 2000-2009: Mais expansão;
- A partir de 2010: Uma década de oportunidades e desafios.
Posto isto, o autor realça a fama da França e o proveito da Alemanha, onde a última "muito mais rapidamente do que se poderia ter pensado, se vê reabilitada e desejada como parceiro das mais respeitadas organizações europeias".
Obviamente, Eduardo Paz Ferreira também destaca a adesão portuguesa e as respetivas consequências. 
A moeda, o euro, também é objeto de análise nesta obra.
Depois de outros tópicos, o autor dedica o último capítulo ao futuro da Europa, interrogando: "Podemos salvar a Europa?".
Eduardo Paz Ferreira acredita que "fundamental é refundar uma Europa que possa atrair os seus cidadãos" e foi com isto em mente que decidiu publicar este livro.

Pode comprar o livro aqui!

Nenhum comentário:

Postar um comentário