13 agosto 2014

COMO SE ESCREVE UM ROMANCE POLICIAL

Autor: G. K. CHESTERTON
Editora: ALÊTHEIA

Mais um texto notável, a juntar à colecção que a Alêtheia tem vindo a publicar de G.K. Chesterton, o criador de Padre Brown, cujas histórias detectivescas ao melhor estilo britânico nos agarram até à última página. Nesta obra, Chesterton debruça-se sobre o método e a crítica à escrita deste género literário e com a sua natural acutilância (sempre actual apesar da época) analisa os melhores da literatura mundial.

O autor começa por explicar que tem total consciência de que nunca conseguiu escrever um policial, mas que o facto de ter fracassado muitas vezes significa que tentou.
Chesterton apresenta alguns princípios fundamentais para se escrever um livro deste género, depois aponta os erros cometidos por alguns autores de romances policiais, como por exemplo, "fazer das personagens humanas personagens-tipo - não tanto porque o autor não seja suficientemente inteligente para descrever personagens reais, mas porque está realmente convencido de que é um desperdício fazê-lo num tipo de literatura que é irreal". O autor, toca também em pontos como: o ideal do romance policial; o romance sensacionalista e a domesticidade do detetive. Sherlock Holmes também faz parte da análise de Chesterton, que por um lado afirma que "as histórias de Sherlock Holmes são narrativas de ótima qualidade, divertidas e conscenciosas", porém há erros a assinalar, como o "erro de apresentar um investigador que é indiferente à filosofia e à poesia, dando a entender que a filosofia e a poesia não caem bem a um investigador".
Posto isto, Chesterton entra em defesa deste género literário, afirmando que "quem queira compreender verdadeiramente a razão psicológica da popularidade do romance policial, terá de começar por se libertar de uma série de lugares-comuns". O autor, escreve ainda sobre a inocência do criminoso e Cecil Chesterton sobre o romance policial como obra de arte, onde sustenta que "nenhuma forma artística foi um alvo tão claro desta condenação indiscriminada como o tipo de narrativa habitualmente designada por romance policial".

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