02 maio 2014

O FIM DO PODER

Autor: MOISÉS NAÍM
Editora: GRADIVA


Numa investigação original e muito bem fundamentada, Naím mostra como o impulso anti-establishment dos micropoderes pode derrubar tiranos, desalojar monopólios e abrir novas e extraordinárias oportunidades, mas também levar ao caos e à paralisia. Naím cobre habilmente as mudanças sísmicas em curso no mundo dos negócios, da religião, da educação, das famílias, com exemplos retirados de todas as áreas da actividade humana. Acessível e convincente, O Fim do Poder constitui um olhar revolucionário sobre o fim inevitável do poder – e sobre como esse fim irá mudar o nosso mundo. 

Enquanto ministro do Desenvolvimento do governo da Venezuela (finais dos anos 80), Moisés Naím experienciou "um desfasamento entre a percepção e a realidade do meu poder", ou seja, constatou as limitações desse poder. Caraterística que tem vindo a confirmar ao longo dos anos através do contato com personalidades detentoras de poder, de diferentes domínios, que partilham o mesmo pensamento e confirmam a teoria da decadência do poder (o autor refere que este livro não é um apelo a que se tenha pena dos que estão no poder).
Antes de mais o objetivo é avaliar o impacto da decadência do poder - para o bem e para o mal. Para isso o autor apresenta a sua definição de poder com rigor, sendo o poder "a capacidade de orientar ou de prevenir as ações presentes ou futuras de outros grupos e indivíduos". Segundo o mesmo, o poder pode ser expresso através de quatro canais, o músculo (força), o código (apelo ao sentido moral), a promoção (mudança na percepção para nos levar a escolher algo) e a recompensa (recurso a benefícios).
A teoria proposta por Moisés Naím assenta nas fragilidades das barreiras ao poder, sendo agora mais fácil chegar ao topo essa posição torna-se efémera. De acordo com o autor, isto acontece devido à ascensão dos micropoderes potenciada por três revoluções: a revolução do mais - aumento de tudo, mais países, populações, melhor nível de vida; a revolução da mobilidade - dinheiro, pessoas, bens e ideias movimentam-se como nunca antes; e a revolução das mentalidades - mudanças de expetativas e aspirações.
O livro tem muito interesse porque as observações do autor são transversais a várias entidades e também porque foge às leituras tradicionais sobre o poder, que evocam sistematicamente a posição antagônica entre potências (análise geopolítica, particularmente do paradigma E.U.A. e China), e o foco na internet. 
Interessante, também, é a discussão sobre as consequências negativas que a fragilidade do poder, no seu todo, podem ter para a nossa vida. Isto é, um mundo onde não exista autoridade é um mundo onde se torna mais difícil tomar decisões, as vidas são "governadas por incentivos e medos de curto prazo, e menos poderemos planear as nossas ações e projetar o futuro". Como já foi avançado por alguns filósofos, a dispersão do poder pode conduzir ao caos e anarquia. 

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