19 março 2014

FREUD, JUNG, LACAN: SOBRE O INCONSCIENTE

Autor: LUÍS M. AUGUSTO

Freud, Jung, Lacan: Sobre o Inconsciente debruça-se de um modo exaustivo, ainda que a um nível introdutório, sobre as teorias fundamentais do inconsciente da autoria dos três teóricos da psicanálise mais importantes até aos nossos dias. O texto divide-se em três grandes capítulos dedicados ao aspeto principal de cada uma destas teorias. No caso de Freud, aborda-se a sua teoria do inconsciente de um ponto de vista genético e do desenvolvimento das duas tópicas de modo a explicar porque é que formam uma teoria única. O inconsciente coletivo é o fil rouge que une o capítulo dedicado a Jung, autor de um surpreendente e quase proibitivo enciclopedismo. Em relação a Lacan, debruçamo-nos sobre a sua complexa teoria do inconsciente estruturado como uma linguagem, uma conceção que continua a funcionar como um maná inesgotável para a compreensão de aspetos culturais e científicos de relevo no pensamento contemporâneo. O texto permite pelo menos dois níveis de análise, um nível mais referencial no texto principal, com as abundantes notas de rodapé a facultar um nível mais crítico.

"As perspetivas freudiana, junguiana e lacaniana representam hoje muito provavelmente as três principais vertentes da teoria e da prática psicanalítica.". Com efeito, apesar de atualmente "parecer inconcebível, podemos imaginar um tempo em que o indivíduo humano não tinha consciência de si como uma unidade psicofísica agindo no meio circundante de modo mais ao menos consciente e voluntário e, como tal, responsável em maior ou menor medida pelos seus atos e até mesmo pelos seus pensamentos e intenções. (...) Não temos de olhar para esse tempo como passado; aquilo que podemos ver como um tempo 'primitivo' é não só o tempo atual de certas culturas em zonas geográficas mais ou menos remotas, mas o presente que muitos indivíduos que 'partilham' connosco as estruturas civilizacionais (direito, ciência, religião, etc.) fundadas na crença mais ou menos explícita da autoconsciência como propriedade do humano na sua maturidade e sanidade mental.". O autor explica ainda que "um dos aspetos mais interessantes do ponto de vista da história das ideias é a coincidência em meados do século XIX de crenças populares e das pseudo-ciências (magnetismo animal ou mesmerismo, por exemplo) com conceções filosóficas de carácter sistemático e ainda de hipóteses da nascente psicologia experimental à procura de verificação, todas elas em torno do inconsciente. (...) Coube a Sigmund Freud descobrir um método que, embora não completamente conforme os métodos desta psicologia experimental nascente, introduzia possibilidades de análise até então insuspeitadas (...). Firmando o terreno, a evolução do pensamento psicanalítico depressa obrigaria a divisões internas e à formação de rebentos: uma das primeiras divisões dá-se precisamente com a psicologia analítica pela mão de C. G. Jung e, alguns anos mais tarde, 'retornando' a Freud, Jacques Lacan abriu caminhos novos que continuam por explorar e cujas consequências desafiam ainda hoje a nossa compreensão.".
Uma obra relevante para todos os que se interessam pelo mundo do inconsciente. 

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