16 dezembro 2013

O CERCO DE LENINEGRADO

Autor: MICHAEL JONES
Editora: BIZÂNCIO

O cerco de Leninegrado foi a tentativa de Hitler de erradicar pela fome a população de uma cidade inteira. Martirizados pela fome, pelos rigores do frio, os habitantes da cidade testemunharam os actos mais vis da miséria humana e os mais nobres actos de solidariedade. Quando em 1944 foi posto fim ao cerco de 900 dias, mais de um milhão de pessoas tinham morrido e os sobreviventes ficaram para sempre marcados pelas suas provações. Só a partir dos anos 90 do século XX, quando o império soviético se desmoronou, muitas destas verdades foram reveladas, e, só recentemente, muitos dos diários, poemas e pinturas feitos durante o cerco foram disponibilizados para consulta pública nos museus e arquivos de São Petersburgo.
Michael Jones teve acesso a este espólio, falou com sobreviventes e traz-nos um relato de viva voz de extrema crueldade e suprema bondade que se revelam quando a vida de todos os dias mergulha no mais absoluto horror.

O livro é introduzido por uma visita ao Museu do Bloqueio em São Petersburgo (Leninegrado, durante a Segunda Guerra Mundial). Aqui o autor faz uma sucinta descrição do ambiente de sofrimento que esta cidade viveu durante o cerco das tropas nazis através do diário de Vera Lyudyno. 
Com 17 anos, impedida de se refugiar nos abrigos antiaéreos por motivos de saúde, Vera testemunhou uma vizinha a devorar 200 gramas de carne, para o mês inteiro, de uma só vez com medo que alguém a roubasse, assim como do desaparecimento de crianças no seu prédio, sendo os seus ossos e roupa encontrados na casa de um vizinho. O autor conta-nos também sobre um desenho de um menino que mostra um pão e onde por baixo se pode ler "Fome - e eu tenho tanta!". No entanto, também nos fala de um concerto simbólico, em pleno cerco, que deu uma sensação de vitória à cidade num período de grande tormento. 
Para além do testemunho dos habitantes de Leninegrado, a obra também nos relata a vivência de alguns elementos do exército alemão. Nomeadamente durante a ofensiva relâmpago que os conduziu até às portas da cidade, onde receberam as ordens de Hitler para deixar a população sucumbir à fome.
Michael Jones equilibra a escrita com uma narração ao estilo de romance e uma descrição objetiva dos acontecimentos que não compromete o rigoroso registo histórico deste livro. O autor baseou-se na experiência como guia nos campos de batalha da Frente Oriental da Segunda Guerra Mundial, nos relatos verdadeiros dos que ficaram na cidade, através da entrevista a sobreviventes ou das notas pessoais deixados por outros.


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