23 dezembro 2013

ESPIÕES EM PORTUGAL DURANTE A II GUERRA MUNDIAL

Autora: IRENE FLUNSER PIMENTEL

Enquanto o resto da Europa estava a ferro e fogo, Portugal, durante a II Guerra Mundial, foi «terra franca» para os serviços de propaganda e espionagem e palco de alguns episódios verdadeiramente novelescos como a tentativa de rapto dos duques de Windsor pelo SS Walter Schellenberg, dos serviços secretos alemães.
A historiadora Irene Flunser Pimentel, autora do livro Os Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial, traz-nos uma investigação baseada em documentos inéditos, nomeadamente dos arquivos norte-americanos e alemães, que nos revelam como o nosso país foi, graças à sua neutralidade e situação geográfica, um local importante de plataforma de negociações políticas, bem como de trocas de informações, comerciais, económicas e financeiras, entre os dois lados beligerantes. A situação atlântica, quer de Portugal, quer das suas ilhas e colónias, fez com que a principal espionagem, de ambos os lados, fosse a deteção de comboios de navios, para serem objecto de bombardeamento aéreos, ou de submarinos.
Pelo nosso país passaram agentes secretos como os agentes duplos , do XX Comiittee, Juan Pujol, mais conhecido como «Garbo», e Dusko Popov, nome de código «Tricycle», que conseguiram enganar os alemães sobre o verdadeiro destino do desembarque aliado na Europa, em junho de 1944, desviando as suas atenções das praias da Normandia, onde ele ocorreu realmente, para a zona do Pas-de-Calais. Popov terá ainda fornecido informações aos serviços britânicos sobre o possível ataque a Pearl Harbour. Também o escritor e agente secreto inglês Ian Lancaster Fleming se alojou no Estoril ao serviço do Naval Intelligence Department, e terá sido neste ambiente de guerra e espionagem que se inspirou para criar a figura de James Bond.
Mas também os portugueses, quer os elementos da Legião Portuguesa quer os da PVDE, se viram envolvidos nas teias de espionagem estrangeira, chegando mesmo a estar ao serviço, à vez ou em simultâneo, dos dois campos beligerantes.

Se por si só o tema da espionagem em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial merece uma atenção especial, a objetividade com que Irene Flunser Pimentel o expõe torna-o mais apelativo. A autora, especialista em História Contemporânea, particularmente no âmbito político e institucional, focou a sua investigação em fontes dos serviços secretos ingleses, americanos e alemães (limitados em virtude da derrota destes na guerra).
Irene Flunser Pimentel também desenvolveu pesquisa nos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, alemão, em Berlim, no Public Record Office, em Londres, no National Archives and Records Administration, em Washington e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Numa obra que segue uma linha cronológica, a autora começa pelo fim, em 1944, onde em solo português foi traçado o plano «Fortaleza», decisivo para o desembarque com sucesso na Normandia. Voltando aos anos 30, acompanha o percurso paralelo do desenvolvimento de instituições do Estado Novo, fascistas e nazis, e a colaboração luso-alemã. Em seguida explica a atuação das redes britânicas em Portugal e as suas consequências para a relação luso-britânica. 
Segue-se uma nova fase (1943-1945) com a resposta inglesa ao desmantelamento das suas redes, sendo a análise ampliada ao vasto território português além-mar, e termina com uma análise a Lisboa como palco de negociações entre personalidades dos dois lados. Apresenta um capítulo dedicado aos espiões duplos, para terminar com um capítulo dedicado aos últimos dois anos da guerra. Pelo meio retrata a atuação dos serviços secretos franceses e norte-americanos.

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