10 fevereiro 2013

DA ORIGEM POPULAR DO PODER AO DIREITO DA RESISTÊNCIA: Doutrinas políticas no século XVII em Portugal

Autor: PEDRO CALAFATE
Editora: ESFERA DO CAOS

Dedicada às doutrinas políticas portuguesas do século XVII, esta obra confronta o leitor actual com teses muitas vezes surpreendentes e inusitadas sobre a origem democrática ou popular do poder político, a fundamentação ética da política, o direito de resistência activa contra a tirania e a injustiça, e as relações entre a Igreja e o Estado. Os autores analisados são de Seiscentos, mas as suas ideias revelam, por vezes, uma espantosa actualidade neste início do século XXI e muito em particular neste momento de gigantescos desafios que agora vivemos — talvez porque os pensadores que este livro convoca escreveram numa época também ela marcada por enormes desafios: a edificação e conservação do império e a restauração da independência nacional, perdida em 1580.

Esta obra, materializada em livro, corresponde a parte do conteúdo da cadeira de Filosofia em Portugal, do curso de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, lecionada pelo professor catedrático e autor deste livro, Pedro Calafate. Autor que, entre outros, é responsável pela publicação da História do Pensamento Filosófico Português (5 volumes; 7 tomos) e de Portugal como problema - Séculos XV-XX.
Ao longo dos diversos capítulos que compõem este trabalho podemos ler sobre o pensamento político em relação à origem do poder, nomeadamente na transmissão do poder divino para o plano temporal (político); sobre a natureza e finalidade do poder político, realçando que este assenta na justiça e na paz que esta promove, enquadrando esta perspectiva num ambiente de crescente laicização e debate em torno da felicidade natural.
Aborda ainda a questão da resistência ativa, com origem no poder popular. Fala-nos sobre o império e a monarquia universal, para culminar com o aprofundamento da ideia de império universal como profecia. Destaque, ainda, para o capítulo dedicado à sempre complicada questão da relação igreja-estado.
Todos estes capítulos são introduzidos por uma contextualização, à qual se segue uma contemplação ao pensamento dos principais autores neste contexto durante a Restauração. Sendo que neste particular o autor destaca a obra de Francisco Suárez, que tal como nos explica "foi um monumento insuperável da filosofia peninsular, seja no domínio jurídico-político seja no da metafísica moderna".

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