26 junho 2012

OS PAPAS

Autor: JOHN JULIUS NORWICH
Editora: CIVILIZAÇÃO

John Julius Norwich centra-se na mais antiga instituição do mundo, seguindo a linha papal pelos séculos, desde o próprio São Pedro — tradicionalmente (ainda que, de modo algum, historicamente) o primeiro papa —, até ao presente, Bento XVI.
Dos cerca de 280 detentores do ofício supremo, alguns foram inquestionavelmente santos, enquanto outros se deleitaram com a mais indescritível iniquidade. Diz-se que um era mulher, só tendo este facto sido descoberto quando deu à luz imprevidentemente durante uma procissão papal. Quase tão chocante é a história de Formoso, assassinado e o seu corpo exumado, vestido com todos os paramentos litúrgicos, sentado num trono e sujeito a um julgamento. Ou a de João XII, sobre quem Gibbon escreveu: “pelo facto de violar virgens e viúvas, as peregrinas não iam visitar o santuário de São Pedro.”
John Julius Norwich atualiza a história papal com entusiasmantes investigações do antissemitismo do desprezível Pio XII, o possível assassinato de João Paulo I e o fenómeno do papa polaco, João Paulo II. Da glória de Bizâncio à decadência de Roma, da Heresia Albigense à controvérsia no seio da atual Igreja, Os Papas é uma obra escrita de forma soberba e reveladora.

O autor, John Julius Norwich, além de um célebre historiador, apresentador e autor de documentários para a televisão inglesa, é também um versátil escritor, como poderá constatar com a leitura da mais recente obra, «Os Papas».
Este livro conta a história, através dos seus representantes máximos, da mais longa monarquia absoluta ainda em persistência. São cerca de 2000 anos condensados numa única obra, numa demonstração clara de poder de síntese e seleção criteriosa de conteúdos que mantêm o leitor sempre concentrado no texto para não perder pitada.
Apesar do caráter desprendido que John Julius Norwich imprime à escrita, o que suscitará o interesse de meros curiosos que apenas queiram saber um pouco mais sobre o papado, este é um trabalho com o potencial para servir a comunidade científica. O autor tem um discurso assertivo, objetivo, neutro e, acima de tudo, fundamentado, uma vez que privou com alguns papas e desempenhou funções na Biblioteca do Vaticano.
O foco do autor incide sobretudo numa análise política, cultural e social, passando um pouco ao lado da teologia, recorrendo a esta apenas quando é útil destacar as questões doutrinárias. Segundo o autor, “ao fazê-lo, segui os passos de muitos dos papas, um número surpreendente dos quais parece ter-se interessado muito mais pelo seu próprio poder temporal do que pelo seu bem-estar espiritual”.
Para quem conhece o trabalho prévio deste autor a leitura d´«Os Papas» será uma confirmação do talento do mesmo e uma garantia da qualidade deste título, para todos aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ler John Julius Norwich, este será certamente uma agradável surpresa.

Pode comprar o livro aqui!

14 junho 2012

FUNDAMENTOS DA GESTÃO DE PESSOAS

Autor: ALBINO LOPES
Editora: SÍLABO

Este livro é o produto de uma reflexão conduzida a pensar na formação de gestores para os Recursos Humanos das organizações do século XXI. O texto evidencia sete grandes princípios da gestão de pessoas: um relativo à liderança e seis outros relativos às práticas de gestão.

Albino Lopes defende que um dos grandes problemas da gestão de recursos humanos é a burocratização das práticas. Com isto em mente o autor apresenta o modelo dos ´6 C’, nomeadamente: comunidade; competências, confiança, circulação do saber, coesão social e comunicação transversal.
O que a obra traz de novo é o facto de enquadrar a gestão de recursos humanos numa perspetiva nacional, assente nas micro, pequenas e médias empresas, ao contrário do que é feito habitualmente, isto é, a abordagem do ponto de vista das grandes organizações.
Para tal, o ponto de partida da obra dá-se com a apresentação de um estudo de caso sobre a ‘A.J. Lobo’, que serve como suporte à análise teórica.
A liderança é também um dos focos desta obra, onde o autor afirma que: “Liderar não é gerir. O líder não gere a organização. Pelo contrário, vai pedir a cada elemento, a cada unidade que faça a gestão adequada. A liderança concentra-se, fundamentalmente, na partilha da visão”.
Uma obra muito completa que será certamente um contributo fundamental para alunos e docentes da área e também para os profissionais.

07 junho 2012

GUIA DE ARQUITETURA - SUL E ILHAS DE PORTUGAL

Autores: NUNO CAMPOS e PATRÍCIA MATOS
Editora: VIDA ECONÓMICA

Com mapas, fotografias e textos referentes a obras realizadas a partir de 1974, informação sobre o tipo de visita possível e coordenadas GPS.
Um guia fiável e prático, que para além de possibilitar a seleção das obras, contém informação que permite contextualizar as mesmas no tempo e no espaço e que responde de forma eficaz aos anseios de quem gosta de visitar obras de arquitetura.
Se o Guia de arquitetura Norte e Centro de Portugal apresenta as mais interessantes obras de arquitetura construídas no Norte e Centro, este livro exibe as obras construídas no Sul e Ilhas, no mesmo período de tempo: 1974-2010.
ÁLVARO SIZA, no texto introdutório do livro afirma: “…Posso pessoalmente prever o interesse que despertará a publicação deste Guia… A procura de Guias de Arquitetura, não só por parte de arquitetos, acompanha hoje o hábito e gosto generalizados de viajar.”
Este guia, da autoria dos arquitetos Nuno Campos e Patrícia Matos, responde de forma eficaz aos anseios de todos aqueles que gostam de visitar obras de arquitetura: um guia com boas obras, fotos esclarecedoras, mapas e, inovando neste ponto, com coordenadas GPS.

Já pensou conhecer o Sul de Portugal ou as Ilhas numa perspetiva de apreciar arquitetura do pós-25 de Abril? Se já, este guia será o seu melhor aliado para o ajudar a identificar os locais a visitar.
Conheça as obras arquitetónicas de Beja, Évora, Faro, Lisboa, Setúbal, Açores e Madeira, criadas desde 1974, cuidadosamente escolhidas após uma extensa pesquisa, por dois arquitetos portugueses.
Esteticamente apelativo, o guia foi integralmente escrito em português e inglês, pelo que poderá ser uma ótima prenda para oferecer a amigos estrangeiros que partilhem a paixão pela arquitetura.
Congratulamos os autores pela iniciativa e pelo excelente resultado final deste guia.

Boas viagens!

Pode comprar o livro aqui!

01 junho 2012

SONHOS SÃO OLHOS QUE VÊEM A CORES

Autor: AGOSTINHO ABADIA

É um escritor mas mais que alguém que escreve é um “consciencializador”. É aparentemente simples, na forma de escrever e de ser, ainda que goste de levar essa simplicidade, essa subtileza, para terras mais carregadas de simbolismo e de reflexão. É recatado, gosta de observar e de ouvir e isso influencia o que escreve.
Não gosta de estar preso, pois prefere se deixar andar e ver onde, literáriamente, os dias o transportam. É apaixonado por tudo e principalmente pelo acto crítico de amar. Gosta de fotografia e de imagem. Vive a música e sente com ela. Vê nas artes uma janela com uma vista diferente do mundo em que vive.
É um optimista mas não descura a visão mais densa do negativismo, já que apesar de ser um ser positivista, compreende e percebe como funcionam as coisas que o rodeiam.
É um idealista e um criativo que gosta de estar presente e de se fazer ouvir. Gosta de fazer passar a mensagem.

Este livro é uma edição independente que só conheceu a luz do dia devido à abnegação, esforço e dedicação do autor, o que ilustra bem a paixão que este tem pela sua arte.
Ao longo das cerca de 100 páginas que constituem a obra, Agostinho Abadia transmite ao leitor, através dos seus poemas, uma diversidade de sentimentos, o que faz da leitura deste «Sonhos são olhos que vêem a cores» uma experiência completa. O autor escreve sobre o Amor, o Sossego e Melancolia, a Loucura, mas sobretudo da Vida.
Cada poema denuncia o contacto próximo que Agostinho Abadia tem com as inúmeras formas de arte, tal é a sensibilidade veiculada às suas palavras e a preocupação com o detalhe. Segundo o autor “Toda a palavra tem o tamanho que lhe quisermos sentir pesar”.
No entanto, nada melhor do que enunciar um fragmento da obra:

Talvez um dia serei como ele!
Talvez um dia serei mestria
De um vassalo aprendiz
Serei ousadia de não ousar
Ser vulgar insistente.
Serei negligente do que de mim
Advêm metodicamente.
Contrapartida do natural cerebral!


Se gosta de poesia pode seguir o trabalho de Agostinho Abadia no Facebook!