04 abril 2012

A CONSTRUÇÃO DO SISTEMA INFORMATIVO EM PORTUGAL NO SÉCULO XX

Autor: JOEL FREDERICO DA SILVEIRA

Este livro é comprometido e apaixonado, porque, por detrás das suas palavras estão sempre presentes, e nem sempre bem dissimuladas, duas paixões. Uma é a paixão pela acção, alicerçada numa velha convicção de que a partir dos media se pode influenciar socialmente, se pode transformar a sociedade, se pode incidir sobre a política e os políticos: uma fé consolidada na capacidade dos media como cães de guarda da decência e honestidade pública, como agentes da pluralidade, da transparência e da democracia sem zonas opacas, como organizadores capazes de articular respostas de contrapoder. A outra paixão é por Portugal, como país, como sociedade organizada, como povo livre, digno de ser respeitado por quem tem a capacidade para manipular, portador, como todos os demais povos, do direito a ser objectivamente informados para poder ter capacidade de opção, capacidade de decidir sobre as suas decisões de compra e capacidade de decidir as suas opções de voto, sem serem manipulados pelos gestores de opinião nem pelos media.

Esta obra surge motivada pela visível decadência dos media tradicionais. Este contexto aliado à crise económica induz uma necessidade de reestruturação e recomposição dos media que poderá mesmo indicar um fim de um ciclo na história dos media. É com esta hipótese em mente que Joel Frederico da Silveira se propõe a analisar a relação historicamente complexa entre o sistema político e a comunicação social, com especial atenção à política de informação do Estado Novo.
Os conteúdos desta obra estão segmentados, com toda a lógica, em duas balizas temporais: de 1926 a 1974 e de 1974 a 1980.
Na primeira e mais extensa fase, que corresponde ao período que se prolonga desde a ditadura militar até ao fim do Estado Novo, é feito um levantamento à política de informação do regime, que obviamente passa pela censura, pela implementação do secretariado nacional de propaganda (SPN) e pelo condicionamento Industrial à Imprensa. Ainda na relação imprensa-Estado são explicados os motivos da lenta transição para a imprensa moderna e as consequências do pós-guerra no espectro político.
A segunda fase do livro corresponde ao pós-25 de Abril, onde, entre outros aspetos, se destacam a intervenção direta do Estado na imprensa em geral, a política de nacionalizações num período de grande instabilidade política, assim como, a economia da imprensa em que a análise se estende aos grupos privados.
Todos estes temas são tratados ao longo do livro com um grau de incisão que permite abordar casos particulares, ou seja, os exemplos remetem para órgãos de comunicação específicos. 
Joel Frederico da Silveira, que entre outras pertenceu à direção do SOPCOM (Associação Portuguesa para as Ciências da Comunicação) criou esta obra que, certamente, irá interessar a todos aqueles que estudam os Media.

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