28 junho 2011

O CEMITÉRIO DE PRAGA

Autor: UMBERTO ECO
Editora: GRADIVA


Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, a disseminação gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios de Sião (que inspirará a Hitler os campos de extermínio), jesuítas que tramam contra maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras. Óptimo material para um romance-folhetim de estilo oitocentista, para mais, ilustrado com os feuilletons daquela época. Há aqui do que contentar o pior dos leitores. Salvo um pormenor. Excepto o protagonista, todos os outros personagens deste romance existiram realmente e fizeram aquilo que fizeram. E até o protagonista faz coisas que foram verdadeiramente feitas, salvo que faz muitas que provavelmente tiveram autores diferentes. Mas quando alguém se movimenta entre serviços secretos, agentes duplos, oficiais traidores e eclesiásticos pecadores, tudo pode acontecer. Até o único personagem inventado desta história ser o mais verdadeiro de todos, e se assemelhar muitíssimo a outros que estão ainda entre nós. Um romance fantástico, de um autor que uma vez mais mostra saber como nenhum outro combinar erudição, humor e reflexão.


O livro contém uma multiplicidade de factos e acontecimentos que não aborrece – mantém o leitor sempre focado na narrativa – prende do início ao fim através de uma combinação entre o humor, momentos de meditação e os vastos conhecimentos que caracterizam este pensador.
É um clássico instantâneo que tem tudo para se tornar num dos livros do ano.
Em suma nota 10 em 10.

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06 junho 2011

O PODER SIMBÓLICO

Autor: PIERRE BOURDIEU
Editora: EDIÇÕES 70

O Poder Simbólico é o primeiro de um conjunto de ensaios onde sobressai uma reflexão sobre o ofício de sociólogo, um aprofundamento dos conceitos de hábitos, campo, identidade e representação, um estudo sistemático do campo político, do campo jurídico e do campo artístico. O Poder Simbólico é esse poder invisível, o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem. Poder quase mágico, que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou económica), sé se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário.

Pierre Bourdieu é estudado, entre outros, na área da sociologia e tem um conceito muito interessante sobre o Poder. Esta é a segunda edição do livro, que foi revisto e actualizado. A introdução coube a Diogo Ramada Curto, Nuno Domingos e Miguel Bandeira Jerónimo.
Deixo também aqui uma nota a título de curiosidade para quem se interessa ou possa vir a interessar por Bourdieu: há muita informação sobre ele no Twitter.
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